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Derrota da Seleção para a Noruega ocorre em ciclo marcado por turbulências e números negativos

G1 (Globo)
Derrota da Seleção para a Noruega ocorre em ciclo marcado por turbulências e números negativos

Na ressaca da eliminação na Copa do Mundo, comissão técnica, jogadores e comentaristas buscaram explicações para a crise na Seleção Brasileira.
A tristeza por mais uma eliminação. A sexta seguida – todas diante de um adversário europeu.
“Muita tristeza, muito choro, muita dor. Muita gente, por ser mais velha e já passou por isso outras vezes, fala tanto que sentiu que dessa vez seria diferente”, diz Matheus Cunha, atacante da Seleção.
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Em um jogo em que duas chances claras de abrir o placar foram desperdiçadas. No primeiro tempo, o pênalti cobrado por Bruno Guimarães - batedor escolhido pela comissão técnica.
“Porque fizemos uma estatística de um ano dos jogadores adversários e o melhor na Seleção era o Raphinha. Escolhemos Bruno Guimarães porque pensávamos que era o melhor no campo”, afirma Carlo Ancelotti, técnico da Seleção.
“Nunca fui vaidoso, nunca quis a artilharia da competição. Por isso que bateu o Bruno, ele batia melhor que eu. Nunca fugi da responsabilidade. Muita gente vai falar que eu não quis bater. Nunca fugi das responsabilidade. Bato os pênaltis no Real quando o treinador me escolhe", diz Vini Jr, atacante da Seleção.
Derrota da Seleção Brasileira para a Noruega ocorre em ciclo marcado por turbulências e números negativos
Jornal Nacional/ Reprodução
No segundo tempo, Endrick chutou para fora, cara a cara com Nyland. A Noruega venceu com dois gols de Haaland. Neymar ainda bateu um outro pênalti, já nos acréscimos. Teve troca de provocações com o goleiro adversário antes e depois da cobrança - quando o tempo já jogava contra a permanência do Brasil na Copa. Depois do jogo Neymar disse que não vestiria mais a camisa da Seleção. Para alguns, essa foi a última chance de conquistar o hexa.
“Infelizmente, a gente pecou em algumas coisas dentro de campo. Mas que sirva de lição para as próximas, a próxima geração que ficar”, diz Marquinhos, zagueiro da Seleção.
"Foi uma geração que teve o seu ciclo na Seleção Brasileira. Ciclo se termina e outros ciclos começam. Vamos começar um ciclo agora novamente com o treinado Ancelotti, que já renovou por mais quatro anos. Nós tivemos um ciclo de jogadores que ficaram três Copas do Mundo. Infelizmente, não conseguimos um resultado positivo nessas três Copas do Mundo", diz Cafu, campeão mundial em 2002.
Uma derrota que pôs fim a um ciclo de turbulências e marcas negativas. Nos últimos quatro anos, a Seleção teve lampejos de esperança em meio a tentativas de corrigir a rota.
"Infelizmente, mostramos que não éramos mesmo um dos favoritos. Mas um ciclo vai se iniciar. São mais três, quatro anos até a próxima Copa. E que tudo seja diferente", afirma o comentarista Ricardinho.
Foram três técnicos antes da chegada de Ancelotti. Depois da eliminação no Catar, Ramon Menezes, então treinador da Seleção sub-20, assumiu de forma interina. Seis meses depois, Fernando Diniz foi contratado também interinamente – sem sequer deixar o comando do Fluminense. Mais seis meses e Dorival Junior virou a opção da vez. Durou pouco mais de um ano.
“O impacto é muito grande quando você tem troca de treinador, cada um pensando de uma maneira, cada um fazendo seus testes. Você não tem continuidade de trabalho. O Ancelotti tem só um ano no comando da equipe, ele não pode fazer todos os testes de pré-Copa do Mundo, para chegar em uma competição desse tamanho com um grupo forte e com várias possibilidades e várias maneiras de jogar”, afirma o comentarista Caio Ribeiro.
No mesmo período, houve trocas na presidência da CBF. Ednaldo Rodrigues chegou a ser afastado pela Justiça, e reintegrado por uma liminar do STF. Ancelotti só foi confirmado na Seleção em maio de 2025. Três dias depois, Ednaldo Rodrigues foi afastado de forma definitiva e Samir Xaud foi eleito para o lugar dele.
Nas Eliminatórias, muitos percalços: a primeira derrota em casa, a maior goleada sofrida, a pior campanha da história, classificado em quinto lugar. Na última Copa América, em 2024, eliminação nas quartas de final.
Derrota da Seleção Brasileira para a Noruega ocorre em ciclo marcado por turbulências e números negativos
Jornal Nacional/ Reprodução
O ano de trabalho de Ancelotti foi marcado por muitas contusões de jogadores importantes, titulares. Rodrygo, Éder Militão e Estêvão nem foram convocados. E já nos Estados Unidos, Wesley, antes da estreia; Raphinha no segundo jogo; e Lucas Paquetá, na segunda fase.
“Isso tudo para você remontar uma Seleção com jogadores desse nível fora, logicamente tem um impacto e esse impacto gera dúvidas e, para mim, Ancelotti não conseguiu definir essas dúvidas”, diz o comentarista Roger.
De contrato renovado, Carlo Ancelotti segue à frente de um projeto que tenta recomeçar com bases mais sólidas.
"O Brasil foi trocando o pneu com o carro andando o tempo inteiro. Então, eu acho que agora é o momento... Ancelotti renovou o contrato e ele vai ter tempo suficiente para montar uma equipe. E, se a partir dessa equipe, a gente conseguir individualismo, brilho individual, melhor ainda", afirma o comentarista Eric Faria.
Sobram exemplos do que não deve ser feito. Em 2030 já são 28 anos sem ganhar uma Copa.
"Uma competição tão curta como essa, os detalhes te custam uma eliminação. E, ás vezes, até antes do esperado. Mas, resumindo, é preparar bem para o próximo Mundial, preparar bem para todas as competições. Os jogadores são de alto nível. Temos o melhor treinador do mundo. Então, é preparar bem para voltar a ganhar", diz Roberto Carlos, campeão mundial em 2002.
“Não vou ficar elencando as inúmeras intercorrências que a gente teve, os problemas. Mas ter, agora, já um treinador garantido para o próximo ciclo, que a gente possa iniciar agora em setembro a reconstrução de uma equipe, pegando os pontos positivos dessa Copa e aqueles que não foram bons para fazer os ajustes e olhar 2030”, diz Rodrigo Caetano, coordenador geral das Seleções Masculinas.
Comentários
Denílson e Renata Vasconcellos em Nova York, nos Estados Unidos
Jornal Nacional/ Reprodução
Renata Vasconcellos: O tamanho da crise na Seleção Brasileira fica evidente nas estatísticas. Eliminação nas oitavas de final, pior campanha desde 1990, maior jejum de títulos da história. Bom, o momento agora é discutir as razões desse fracasso e planejar o futuro. Aliás, essa palavra é muito importante: planejamento. Mas eu queria ouvir o seu diagnóstico e no que a gente errou. O que precisa mudar?
Denílson, comentarista: A matéria foi muito bem feita, explicou muito bem o que foi esse ciclo da Seleção Brasileira até a chegada a essa Copa do Mundo. Eu sou mais crítico em relação a esse momento que a gente está vivendo. Porque, independentemente do que foi feito, construído até esse momento, até a chegada de Ancelotti, pouco mais de um ano, 17 jogos com a Seleção Brasileira, especificamente na nossa eliminação, faltou atitude dos jogadores, faltou mudar o comportamento dentro do campo. Tudo isso...
Renata Vasconcellos: No último jogo?
Denílson: Exatamente. Tudo isso que a gente construiu até aqui, com todos os problemas, em algum momento a gente precisa mudar e virar essa chave, e a gente não conseguiu fazer isso no jogo. Agora, o olhar para frente, como você me perguntou, olhar para o futuro. A gente tem uma geração que já tem uma certa experiência, jogadores que atuam no futebol europeu. O Vini Jr, provavelmente daqui a quatro anos, ele vai estar muito mais preparado. Ele assumiu um protagonismo agora. E outros jogadores virão. A gente mostrou ali o Rodrygo, que se machucou, o Estêvão, do Chelsea, são jogadores que vão ganhar casca, vão ganhar experiência no futebol europeu e, com certeza, a gente vai chegar de uma forma muito diferente em 2030.
Renata Vasconcellos: Como é que você avalia esse um ano da gestão de Ancelotti?
Denílson: Conturbada. Eu sempre falei que o meu entendimento e o meu olhar para o Ancelotti... Ele chega na Seleção Brasileira tentando jogar de uma forma. Uma Seleção ofensiva, que cuida do jogo, que cuida da bola, que pressiona o adversário. E, ao passar do tempo, ele foi entendendo que o que ele tinha em mãos não poderia entregar esse jeito dele jogar. E foi tentando buscar o equilíbrio. Um equilíbrio que acabou não culminando, agora, na nossa passagem para umas quartas de final em uma Copa do Mundo.
Renata Vasconcellos: Um ano para o treinador é pouco?
Denílson: Pouco. Ainda mais se tratando de Seleção Brasileira, que você se encontra esporadicamente. Em um clube, um ano, você consegue dar um padrão para um time. Mas, em uma Seleção Brasileira, que você se encontra de vez em quando, é muito mais difícil.
Renata Vasconcellos: Outro ponto polêmico foi quem deveria bater o pênalti. Fato é que a comissão técnica tinha orientado o Bruno para bater. Queria te ouvir.
Denílson: Em algum momento durante a partida, durante um jogo de futebol, você também tem a sensação e o feeling de quem tem mais confiança. Eu acho que faltou isso para o Vini. O Vini foi um jogador extremamente importante. E volto a reafirmar aqui: ele assumiu um protagonismo que nós cobrávamos dele há muito tempo. Então, parabéns pela Copa do Mundo que ele fez. Mas, nesse momento do pênalti, ele poderia assumir essa responsabilidade e cobrar o pênalti.
Renata Vasconcellos: Independentemente do fato de o técnico ter apontado o Bruno para bater? Nessa hora vale...
Denílson: E aí se tem um segundo momento do Ancelotti lá do banco de reservas falar assim: “Não, não, não. O Bruno vai bater". E aí tudo bem. Mas eu acho que a atitude do Vini poderia ter sido bater o pênalti.
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional
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