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Adversário do Brasil na Copa, Haiti derrotou Napoleão e mudou rumos dos EUA; veja curiosidades

G1 (Globo)
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Adversário do Brasil na Copa, Haiti derrotou Napoleão e mudou rumos dos EUA; veja curiosidades

AI Summary

Brazil will play Haiti in their second group-stage match of the 2026 FIFA World Cup on Friday in Philadelphia, with all 68,324 available seats sold. Haiti, ranked lowest among the tournament's 48 teams, faces a Brazilian squad composed of elite players valued at significantly greater resources, while the island nation contends with humanitarian challenges and governance instability. The match underscores the competitive and economic disparities between participating nations.

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Haiti: a história do adversário do Brasil que ajudou Simón Bolívar e derrotou Napoleão
Wikimedia comons/Reuters
O Brasil tem mais um confronto na Copa do Mundo de 2026. Nesta sexta-feira (19), a seleção enfrenta o Haiti, no segundo jogo da fase de grupos.
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Considerado a primeira república negra independente do mundo, o país nasceu em 1804 após uma revolução de escravizados que derrotou a França, colonizadora do território, e teve impacto em diferentes partes das Américas.
A história haitiana inclui ainda o apoio a Simon Bolívar nas independências na América Latina e uma influência no tamanho do território dos Estados Unidos.
Mais recentemente, o Haiti teve forte presença militar brasileira em seu território, quando o Brasil liderou uma missão de paz da ONU no país.
Veja, abaixo, curiosidades sobre o próximo adversário do Brasil:
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Haiti ajudou Simón Bolívar
Haiti ajudou Simon Bolívar
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Segundo o historiador Everaldo Andrade, professor da USP e autor do livro "Haiti: dois séculos de história", o Haiti apoiou militar e politicamente Simón Bolívar durante as campanhas que levaram à independência de países da América do Sul.
📖➡️Bolívar foi um militar nascido em Caracas e é considerado o responsável pelas campanhas de independência de países como Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.
Segundo o docente, o então presidente haitiano Alexandre Pétion forneceu apoio decisivo ao líder venezuelano.
"Ele apoiou não só politicamente, mas com armas, com navio, com o que fosse possível", afirma.
O professor afirma, ainda, que a ajuda foi fundamental para influenciar Bolívar sobre a libertação dos escravizados.
"Como resultado desse apoio, Bolívar passou a defender a libertação dos escravos, algo que ele não defendia antes", explica.
Revolução haitiana influenciou o tamanho dos EUA
Além de ter um papel na independência na América, a independência do Haiti também teve consequências para os EUA. Isso porque o país foi responsável por fazer Napoleão Bonaparte, então primeiro cônsul e futuro imperador francês, vender a Louisiana para o país norte-americano.
De acordo com Andrade, a derrota das tropas francesas no Caribe enfraqueceu os planos de Napoleão para a região e contribuiu para a venda aos americanos em 1803.
"Com essa derrota, o Napoleão ficou sem condição de controlar a região e decidiu vender", explica. "Quase metade do que são os Estados Unidos hoje foi ganho nessa compra", afirma.
Na época, o território era muito maior que o atual estado da Louisiana, estendendo-se do Golfo do México até regiões próximas à atual fronteira com o Canadá. (Veja abaixo).
Haiti influenciou a compra da Louisiana pelos EUA
Domínio Público
Tropas brasileiras no Haiti
Mais recentemente, a história do Haiti foi marcada pela presença brasileira no território. Entre 2004 e 2017, militares brasileiros lideraram a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), criada após a saída do então presidente Jean-Bertrand Aristide.
Segundo o governo federal brasileiro, ao longo de 13 anos, mais de 36 mil brasileiros participaram da operação, que atuou na segurança do país e nos esforços de reconstrução após o terremoto de 2010.
➡️O objetivo da missão era auxiliar na estabilidade da nação, na transição política do país e, mais tarde, na reconstrução após o terremoto de 2010. Durante esse período, o Brasil exerceu o comando do componente militar da missão.
Chegada de tropas brasileiras para integrar a Minustah ao Haiti, em 2010
Exército brasileiro/ Divulgação
Apesar da liderança na missão, não foi o Brasil que teve a ideia de mandar tropas ao Haiti.
"Os Estados Unidos propuseram na ONU uma intervenção e o Brasil tomou essa intervenção em 2004", explica Everaldo.
Saiba mais: 9 momentos para entender a história da operação liderada pelo Brasil
Ainda segundo o professor, o legado da presença brasileira ainda divide opiniões no Haiti. "A presença do Brasil no Haiti teve aspectos positivos e negativos", diz. Para Andrade, enquanto parte da população vê o Brasil com simpatia pela proximidade cultural e pelo futebol, outros associam a atuação brasileira à intervenção militar.
"Tem um setor da população haitiana que não gosta do Brasil e da ONU porque são pessoas que foram lá para levar violência", afirmou.
O futebol: alguns meses após a chegada dos soldados a Porto Príncipe, a seleção brasileira enfrentou o Haiti em uma partida amistosa, que ficou conhecida como “Jogo pela Paz”. O objetivo era ganhar a simpatia do povo com relação à Minustah.
Denúncia de crimes: Em dezembro de 2011, a Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (RNDDH) denunciou que, desde a chegada da Minustah ao Haiti, agentes estiveram envolvidos "em casos de estupro, roubo, assassinato e detenções ilegais e arbitrários" e citou uma dezena deles. O envolvimento de três brasileiros em agressão contra jovens foi investigado.
A seleção brasileira de futebol é saudada por fãs haitianos ao cruzar ruas de Porto Príncipe, em Haiti
Vanderlei Almeida/AFP/Arquivo
'O 1º país verdadeiramente livre'
Andrade explica que, mais do que conquistar sua independência, o Haiti se tornou uma referência para a população negra em todo o continente americano. Isso porque nasceu de uma revolução liderada por escravizados que proclamou a libertação da população negra, em um período em que a escravidão ainda era mantida na maior parte das Américas.
Segundo Andrade, a luta haitiana teve um impacto que ultrapassou as fronteiras do país.
"O Haiti foi um primeiro país a defender o direito dos africanos, o movimento da africanidade e a negritude", afirmou.
"O movimento da negritude nasceu no Haiti. Como resistência contra a discriminação aos negros e a ideia de que os negros são uma raça inferior", diz o professor.
Andrade destaca ainda que o Haiti ocupou uma posição única no século XIX.
"Foi o primeiro país verdadeiramente livre das Américas, não foram os EUA, foi o Haiti que proclamou a independência e a libertação de todos os seus cidadãos, todos", afirma.
Como está o Haiti hoje?
Um grupo de crianças joga futebol com uma bola de plástico no bairro de Pétion-Ville em Porto Príncipe, Haiti
AP Foto/Odelyn Joseph
O Haiti vive uma crise política e de segurança que se agravou nos últimos anos. Após o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021, o país passou a ser governado por autoridades de transição enquanto tenta organizar novas eleições. Ao mesmo tempo, grupos armados ampliaram sua influência.
Para o historiador, os problemas atuais têm relação com uma longa história de intervenções estrangeiras e instabilidade política, além dos impactos de um grande terremoto que atingiu o país em 2010. Segundo ele, a ocupação dos Estados Unidos no início do século XX, a ditadura da família Duvalier e as sucessivas intervenções internacionais enfraqueceram as instituições haitianas.
➡️A ditadura da família Duvalier governou o Haiti entre 1957 e 1986, primeiro com François Duvalier e depois com seu filho Jean-Claude Duvalier. O regime foi marcado por autoritarismo, repressão política e violência.
"Essa ditadura criou a cultura dos grupos de extermínio, de violência política, que não desapareceu", afirma.
O professor também destaca que, apesar da crise, o Haiti mantém organizações populares, movimentos estudantis e uma rica vida cultural, muitas vezes ofuscados pela violência.
"A situação do Haiti é um resultado de décadas de constantes intervenções externas que os impedem de se organizarem por conta própria", diz.
Fifa pediu mudanças na camisa
Fifa pede mudanças em camisa do Haiti
Reprodução/Instagram
Pouco antes do início do torneio, a Fifa solicitou que a empresa responsável pelos uniformes do Haiti, a Saeta, mudasse a camisa oficial da seleção.
A fabricante informou que a entidade determinou alterações no design por entender que alguns elementos visuais poderiam ser interpretados como uma mensagem política.
Por isso, na estreia da seleção contra a Escócia, o país entrou com uma camisa modificada.
Mas o que mudou? O uniforme originalmente divulgado pela empresa continha uma ilustração associada a Batalha de Vertières, de 1803, quando os ex-escravizados venceram as tropas de Napoleão. A Saeta não chegou a informar o que foi vetado pela Fifa, mas a nova camisa não tem mais o desenho.
Na avaliação do professor, a decisão da Fifa não foi correta. "Na verdade, não é um símbolo político, é um símbolo de afirmação da nacionalidade", explica.
"É uma violência contra o Haiti porque é um símbolo de orgulho de um povo que é tão humilhado, tão massacrado. Isso foi mais um golpe", afirma. ...

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