Quem é o casal de pastores suspeito de estuprar meninas em Roraima

Casal de pastores é suspeito de abusar sexualmente de seis meninas em Roraima
Os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, investigados por estuprar ao menos seis adolescentes meninas em Roraima, liderava uma igreja em Boa Vista há cinco anos. No local, eles eram responsáveis por batismos, cultos da "família", "mocidade" e de "doutrina".
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos usavam a fé e a posição de liderança religiosa para manipular as vítimas. Conforme a investigação, os suspeitos convenciam as meninas de que os atos sexuais faziam parte de um propósito espiritual. O casal é considerado foragido e segundo a Polícia Civil, fugiu para Manaus.
O g1 entrou em contato com a defesa dos investigados, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
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Eles são investigados pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que tiveram apoio do Departamento de Inteligência (Deint) da Secretaria de Segurança Pública.
'Preservar e defender os valores da família'
Wenderson é natural de Manaus, e Arielly nasceu em Roraima. A igreja comandada pelos pastores foi registrada em 2022 em nome do pastor e funciona no bairro Cinturão Verde, na zona Oeste de Boa Vista.
A ata de fundação da congregação é datada de 13 de agosto de 2021. Wenderson é o presidente da instituição, enquanto Arielly Kamila ocupa o cargo de vice-presidente.
No documento, a igreja é descrita como uma "instituição civil, religiosa e evangélica", "sem fins lucrativos, com sustento, propagação e governo próprios".
Ainda em agosto de 2021, a congregação passou a usar as redes sociais para divulgar as reuniões religiosas. Entre os temas dos cultos, sempre ministrados por Wenderson e Arielly, estavam a família, com passagens bíblicas como "Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa".
O casal também conduzia reuniões de doutrina para ensinar os mandamentos bíblicos aos fiéis. Segundo a investigação, a pastora atraía e se aproximava das vítimas, enquanto o marido utilizava a posição de líder religioso e interpretações de passagens bíblicas para convencê-las de que os atos sexuais tinham propósito espiritual.
"Eles falavam que estava nos versículos, que aquilo era de Deus, que eles tinham sido mandados para praticar aqueles atos contra as crianças. Algumas das vítimas relataram que questionavam se isso não estava errado, e eles, utilizando da fé dessas crianças, praticavam esses abusos", explicou a secretária de Segurança Pública de Roraima, a delegada Eliane Gonçalves.
Entre os príncipios da congreção, estavam: "Adorar a Deus sobre todas as coisas", "Preservar e defender os valores da família à luz da Escritura Sagrada, como instituição fundamental criada por Deus", além de "Promover os princípios da fraternidade cristã".
O casal oferecia PIX e outras vantagens, como jantares, para manter as adolescentes em silêncio, segundo a investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Na ata de fundação, é destacado que o Estatuto "terá força de lei" para os membros da igreja e que a igreja aceita "como única regra de fé e pratica a Bíblia Sagrada". O casal, segundo a delegada da DPCA, Kamilla Basto, desencorajava denúncias ao fazer com que vítimas temessem ser acusadas de rebeldia na igreja.
A ata defende que a congreção é responsável por governar, orientar e supervisionar membros e instituições que pertencem à organização, tanto na administração quanto na doutrina religiosa.
"Nenhum ambiente e nenhuma posição de autoridade estão acima da lei", reforçou a delegada Kamilla.
Casal de pastores investigados Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza
Arquivo pessoal
'Curas, milagres e muito poder'
A Polícia Civil identificou seis vítimas, com idades entre 12 e 17 anos. Outras cinco mostraram indícios de terem sido vítimas, mas optaram por não prestar depoimento oficial.
"As práticas sexuais eram fruto de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica, o que afasta qualquer alegação de voluntariedade e reforça a gravidade dos crimes praticados, em razão do temor reverencial", detalhou a polícia.
Nas redes sociais da congregação, há fotos de Wenderson e Arielly pregando e orando pelos fiéis. Nas legendas, os cultos eram divulgados como "campanhas proféticas", com promessas de "curas, milagres e muito poder em nosso meio".
Além das reuniões realizadas em bairros de Boa Vista, o casal também promovia cultos na zona rural da capital.
Crimes investigados
Wenderson é investigado por seis crimes: estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
A investigação contra o casal começou em abril, a partir da denúncia de uma adolescente, de 14 anos. Depois, outras cinco vítimas relataram que também tinham sido abusadas pelo casal.
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