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Carnes, pneus e motores elétricos: saiba quais produtos da RMC estão mais expostos às tarifas propostas por EUA

G1 (Globo)
Carnes, pneus e motores elétricos: saiba quais produtos da RMC estão mais expostos às tarifas propostas por EUA

Terminal de cargas do aeroporto de Viracopos em Campinas
Isabela Leite / G1
Carnes preparadas e conservadas, pneus e componentes da indústria elétrica lideram a lista de produtos da Região Metropolitana de Campinas (RMC) mais expostos à tarifa adicional de 25% proposta pelos Estados Unidos para importações brasileiras. É o que aponta uma análise do Observatório PUC-Campinas, feita a pedido do g1.
O estudo mapeou os principais produtos vendidos pela região aos EUA e mostra que alguns setores combinam alta dependência dos compradores americanos com pouca ou nenhuma proteção na lista de exceções prevista pelo governo dos Estados Unidos - confira abaixo.
🔎 A aplicação da sobretaxa de 25% faz parte de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre supostas práticas comerciais consideradas "irrazoáveis" pelo governo americano. A medida foi proposta em junho e o prazo para decisão final vai até 15 de julho. A lista de exceções prevista pelos EUA protege alguns produtos, mas deixa outros totalmente ou quase totalmente expostos à nova cobrança.
Segundo o economista Paulo Oliveira, pesquisador do Observatório PUC-Campinas e diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da universidade, os efeitos tendem a ser heterogêneos na região.
"Quando a gente olha o agregado, o impacto é relativamente pequeno dessa perspectiva. Mas quando a gente começa a olhar para alguns setores, para algumas empresas, aí o impacto é dramático", afirmou.
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Produtos mais expostos
O caso mais expressivo é o das carnes preparadas e conservadas, que movimentaram US$ 116 milhões em exportações para os EUA nos últimos 12 meses. O mercado americano respondeu por 84,2% das exportações desse produto feitas pela região.
Exposição dos principais produtos exportados pela RMC à tarifa proposta pelos EUA
Impactos para a RMC
Na avaliação de Paulo Oliveira, os maiores impactos podem ocorrer de forma localizada, especialmente em municípios que concentram empresas altamente dependentes do mercado americano.
"Aqui na região, inclusive, tem alguns casos que é dramático para municípios. Porque o município que tem uma empresa que exporta 80% da sua produção para os Estados Unidos... Pronto, esse município está numa situação complicada, porque boa parte da população trabalha nessa empresa. Essa empresa vai ter problemas no médio e longo prazo", afirmou.
Segundo o economista, o peso da tarifa dependerá da capacidade de as empresas encontrarem compradores em outros países e reduzirem a dependência das vendas para os Estados Unidos.
Concorrência internacional preocupa
Foto de arquivo do terminal de cargas de Viracopos, em Campinas (SP)
Aeroportos Brasil Viracopos
Outro fator considerado decisivo é o comportamento dos concorrentes internacionais.
De acordo com Oliveira, o impacto sobre os exportadores brasileiros será mais intenso caso produtos semelhantes, vendidos por outros países, não sejam submetidos à mesma cobrança.
A preocupação ocorre porque a nova cobrança pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano, incentivando importadores a buscar fornecedores alternativos.
"Uma vez colocada essa tarifa, se ela é colocada só sobre o Brasil e um concorrente internacional não está com tarifas, aí a gente é prejudicado de forma mais direta. Principalmente se o produtor aqui no Brasil não conseguir deslocar o que ele exportava para um terceiro mercado", disse.
O economista destacou que a tarifa não necessariamente afetará apenas os exportadores brasileiros. Segundo ele, quando as empresas americanas dependem de insumos produzidos no Brasil, parte do custo adicional pode ser absorvida pelos compradores nos Estados Unidos.
Sobretaxas
A proposta dos Estados Unidos prevê a aplicação de diferentes tarifas sobre produtos brasileiros, que podem se acumular em alguns casos.
A principal medida é a sobretaxa de 25%. Além dela, uma taxa adicional de 12,5% também pode ser aplicada. Ambas são baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e determinadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
🔎 Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 - Essa alternativa permite abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais por outros países. Se forem confirmadas, o governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração.
➡️ Se as duas medidas forem implementadas, a sobretaxa poderá chegar a 37,5%.
Além disso, alguns produtos brasileiros já estão sujeitos a uma tarifa global de 10%, aplicada com base na Seção 122 da legislação comercial americana. Nesses casos, segundo o economista Paulo Oliveira, as cobranças podem se somar e fazer com que a tarifa total chegue a 47,5%, dependendo do produto.
🔎Seção 122 da Lei de Comércio - Essa é uma das opções mais rápidas para o governo. A lei permite aplicar tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar, sem necessidade de investigação formal.
Negociações
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou, nesta sexta-feira (10), que segue “empenhado” nas negociações com autoridades dos Estados Unidos para tentar reverter o tarifaço.
A afirmação foi feita após entidades que representam empresários brasileiros e americanos terem pedido que haja uma nova rodada de negociação, e defenderem que os dois países cheguem a um acordo para evitar a aplicação da tarifa de 25%.
“Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional”, informou o Ministério das Relações Exteriores.
*Estagiária sob supervisão de Bárbara Camilotti.
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