Pesquisa avalia saúde de golfinhos e aves em Fernando de Noronha

Pesquisa avalia saúde de golfinhos e aves e monitora doenças em Noronha
Pesquisadores da ONG Som do Oceano e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciaram uma pesquisa em Fernando de Noronha para avaliar a saúde de golfinhos e aves (veja vídeo acima). O estudo também vai identificar doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos e investigar como mudanças ambientais afetam a fauna do arquipélago.
A pesquisa segue o conceito de Saúde Única, que considera a relação entre a saúde humana, animal e ambiental.
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Pesquisadores coletam material dos golfinhos
Raul Rio/Som do Oceano
O trabalho faz parte das ações do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia ( INCT-Negli-One), uma rede de pesquisas que reúne mais de 40 instituições do Brasil e do exterior para desenvolver estudos sobre doenças negligenciadas e saúde ambiental.
Segundo o coordenador da ONG Som do Oceano, Raul Rio, a pesquisa permitirá monitorar doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos.
"Esse é um trabalho baseado no conceito de Saúde Única. Não importa apenas a saúde humana, mas também a saúde animal e ambiental. Vamos monitorar doenças que podem ser transmitidas dos animais para as pessoas e também das pessoas para os animais", afirmou.
Pesquisadores usam proteção para evitar contaminação das amostras
Ana Clara Marinho/TV Globo
Raul Rio, que também é professor e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), realiza estudos em Fernando de Noronha há cinco anos. Para esta pesquisa, ele convidou a médica veterinária Martha Brandão, da Fiocruz.
A pesquisadora estuda a circulação de microrganismos entre a Antártica e as Américas. Agora, a proposta é comparar os dados coletados em Noronha com os obtidos no continente antártico.
Os pesquisadores afirmam que as mudanças climáticas podem facilitar a circulação de microrganismos em diferentes regiões do planeta.
"Entender o que acontece nas regiões polares ajuda a compreender o que pode ocorrer em Fernando de Noronha. O arquipélago reúne pessoas, animais e vegetação. Se o ambiente não estiver saudável, isso também pode afetar a saúde da população", disse Raul Rio.
Por causa dessa relação, a pesquisa concentra o monitoramento em golfinhos e aves. Os pesquisadores coletaram amostras do borrifo respiratório dos golfinhos, fezes de aves e também fizeram exames com swab, semelhantes aos usados durante a pandemia de Covid-19.
Martha Brandão afirmou que golfinhos e aves podem compartilhar microrganismos.
"Vamos analisar as amostras para identificar bactérias, vírus e o DNA de outros organismos. Os golfinhos podem compartilhar esses microrganismos com as aves. Por isso, estudamos esses animais", explicou.
Aves fazem parte do estudo em Fernando de Noronha
Raul Rio/Som do Oceano
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Entre as espécies analisadas estão aves marinhas e terrestres, como a cocoruta e o sebito, ameaçadas de extinção. As duas espécies são endêmicas de Fernando de Noronha, ou seja, só existem no arquipélago.
A pesquisadora disse que o estudo também pretende identificar quais microrganismos circulam entre diferentes regiões do planeta.
"Sabemos que a gripe aviária, por exemplo, saiu das Américas e chegou à Antártica. Queremos entender quais microrganismos circulam pelo oceano e podem ser transportados entre essas regiões", indicou Martha Brandão.
Turismo
Desde 2021, Raul Rio também estuda como o aumento do turismo afeta os golfinhos-rotadores de Fernando de Noronha. A pesquisa analisa os sons emitidos pelos animais para identificar mudanças no comportamento.
Em 2025, o Parque Nacional Marinho de Noronha recebeu 139.901 visitantes, o maior número já registrado no arquipélago.
O número superou o limite anual de 132 mil visitantes previsto no acordo de gestão compartilhada entre os governos federal e estadual. O teto mensal de 11 mil turistas também foi ultrapassado em oito meses do ano.
Para Raul Rio, o excesso de visitantes pode comprometer a saúde dos animais e o equilíbrio ambiental.
"A natureza funciona em equilíbrio. As ações humanas afetam os animais e também as pessoas. O excesso de turistas e a pressão sobre a fauna marinha e terrestre provocam impactos negativos em todo o ecossistema", afirmou Raul Rio
Os resultados da pesquisa serão encaminhados ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que apoia o estudo.
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la. O arquipéa reúne pessoas, animais e vegetação. Se o ambiente não estiver saudável, isso também pode afetar a saúde da população", disse Raul Rio. ...
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