Polícia Federal é acionada por desaparecimento e danos em acervo do Palácio das Mangabeiras; Zema e Mateus Simões são citados

Sem inventário público, paradeiro de acervo do Palácio das Mangabeiras vira impasse
A Polícia Federal foi acionada, por meio de um protocolo de notícia-crime, nesta segunda-feira (6), para para investigar o suposto desaparecimento e a deterioração do acervo do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais.
O documento aponta a possível prática de crimes contra o patrimônio público e cultural nacional, citando o envolvimento do ex-governador Romeu Zema e do atual governador Mateus Simões.
Uma reportagem do g1 localizou um biombo de Emiliano Di Cavalcanti, uma das obras mais valiosas do acervo, hoje exposto no Palácio da Liberdade, e confirmou que parte dos bens foi redistribuída para outros órgãos públicos. Apesar disso, parlamentares de oposição afirmam que o Estado ainda não apresentou um inventário público detalhado das 294 peças retiradas do Palácio das Mangabeiras, alvo de análise do Tribunal de Contas de Minas Gerais.
A Deputada Bella Gonçalves, que preside a Comissão de Direitos Humanos, protocolou a denúncia com base em investigações e fiscalizações da Comissão de Cultura da ALMG.
O que diz a denúncia
Segundo o documento, o Palácio das Mangabeiras, projetado por Oscar Niemeyer, deixou de ser residência oficial em 2019 por determinação de Zema. Desde então, o imóvel passou a ser gerido pela Codemge e a abrigar eventos privados, como a Casa Cor.
No entanto, fiscalizações recentes da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) revelaram um cenário "alarmante".
Em visita realizada em julho de 2026, os parlamentares encontraram apenas cinco itens do mobiliário original: uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano. Centenas de outras peças, como obras de arte, pratarias, louças e livros, não foram localizadas.
Obras de arte danificadas
A denúncia baseia-se também em depoimentos do próprio Secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira. Em prestação de contas à ALMG, o secretário admitiu que, em 2020, encontrou 44 obras (incluindo nomes como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti) guardadas de forma inadequada pela Polícia Militar, cobertas apenas por tecidos.
Entre os danos relatados, Oliveira afirmou que um biombo de quatro metros de Di Cavalcanti "craquelou" e que "muitas obras" sofreram danos materiais durante a retirada e o armazenamento.
Pedido de intervenção federal
A notícia-crime protocolada solicita que a Polícia Federal assuma o caso devido ao interesse da União na proteção do patrimônio cultural brasileiro, uma vez que o Palácio integra o conjunto paisagístico da Serra do Curral, tombado pelo IPHAN.
Além disso, o documento argumenta que a investigação deve ocorrer em âmbito federal pois envolve autoridades com prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Para isso, seria necessária a instauração de investigação criminal para apurar crimes como peculato e dano qualificado, uma perícia técnica nas obras danificadas e também uma oitiva do secretário Leônidas Oliveira e de dirigentes da Codemge e da Polícia Militar.
O g1 entrou em contato com a Polícia Federal, com o Governo de Minas, com a assessoria do ex-governador Romeu Zema e aguarda retorno.
Biombo de Di Cavalcanti, localizado no salão do torreão esquerdo do Palácio da Liberdade.
Fernanda Torquato/g1
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