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Craques do jogo: professor de Ribeirão Preto, SP, transforma alunos em figurinhas da Copa do Mundo

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Craques do jogo: professor de Ribeirão Preto, SP, transforma alunos em figurinhas da Copa do Mundo

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Professor de Ribeirão Preto, SP, transforma alunos em figurinhas da Copa do Mundo
A febre das figurinhas da Copa do Mundo ganhou um formato diferente nas salas de aula de uma escola municipal de Ribeirão Preto (SP). Para aproveitar o interesse das crianças pelo tema, um professor de Arte decidiu transformar os alunos nas estrelas da brincadeira.
A iniciativa uniu desenho e tecnologia para as turmas dos 4º e 5º anos. Cada estudante fez um autorretrato e imaginou um uniforme. Depois, as artes viraram um baralho personalizado para cada aluno, onde as cartas receberam notas de ataque, defesa e drible.
Os atributos de força no jogo, no entanto, não foram sorteados. Os números saíram das avaliações sobre os cadernos em dia e o comportamento das turmas durante as aulas (entenda abaixo).
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Turma do 4º ano A da EMEF Domingos Angerami com o baralho personalizado; projeto uniu arte, tecnologia e incentivo pedagógico em Ribeirão Preto
Murilo Corazza/g1
O projeto foi idealizado por Marco Aurélio Manzano Martins, que dá aula na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Domingos Angerami.
O g1 acompanhou a entrega do material para a turma do 4º ano A e presenciou a surpresa das crianças ao descobrirem que levariam as cartas de presente para a casa.
O foco desse projeto é que eles se sintam incluídos, que possam se dar um valor como indivíduos. Eu fiz isso para que tivessem uma arte própria, mas com a qualidade de um álbum de figurinhas de verdade, para tentar elevar a autoestima dessas crianças e criar o pertencimento ao que está acontecendo no mundo
A atividade começou quando o educador percebeu a atenção dos estudantes voltada para o mundial durante o recreio e até nas aulas. Ele decidiu mostrar a influência da arte nos jogos de tabuleiro e propôs a criação de um material próprio.
A parte das crianças envolveu criatividade no papel. Já a parte digital ficou sob a responsabilidade do educador, que precisou superar desafios técnicos em casa.
"Mostrei para eles como a arte pode funcionar como mecânica de jogos. Pedi a eles que fizessem um autorretrato ou um avatar, e imaginassem o uniforme do time. Recolhi os desenhos, escaneei e formatei tudo usando como base as figurinhas da Copa. A proposta não era apenas ter o desenho, mas fazer com que funcionasse como um jogo real", explica Marco Aurélio.
Dinâmica de jogo utiliza regras baseadas no clássico 'Super Trunfo', onde atributos de ataque e defesa são definidos pelo desempenho escolar dos alunos
Murilo Corazza/g1
'Fui eu que fiz' ⚽
A iniciativa teve um impacto social importante. A escola atende muitas famílias de baixa renda, o que torna o acesso aos pacotes de figurinhas e aos álbuns oficiais mais difícil para parte dos estudantes. A intenção de Marco Aurélio foi trazer o sentimento de pertencimento para dentro da sala de aula.
"Eu venho de uma origem bem humilde também, cresci fazendo meus próprios brinquedos e figurinhas e quis passar essa ideia. Eles fizeram a parte deles, que era a criação do desenho, e a parte trabalhosa ficou comigo. E quando entreguei, muitos já perguntaram se podiam virar as figurinhas para jogar 'bafo'. Eu falei: o jogo é de vocês", afirma o professor.
A aluna Daniele Rezende Vital de Souza, de 9 anos, não tem o álbum oficial do mundial, mas garantiu que amou a versão da escola. Ao comparar os materiais, ela afirma que a versão desenhada à mão é mais bonita porque foi ela mesma quem fez.
"A minha figurinha, porque fui eu que fiz", diz.
O sentimento é o mesmo para Lorena Sofia Nogueira Saviano, de 10 anos. A aluna tem o álbum oficial, mas valoriza as cartas da turma porque contou com a ajuda dos amigos na elaboração dos desenhos.
"Gostei mais da minha porque fui eu que fiz e os meus amigos ajudaram", relata.
Daniele e Lorena exibem as figurinhas personalizadas que criaram em sala de aula na EMEF Domingos Angerami
Murilo Corazza/g1
Regras e disciplina em campo 🥅
Para criar a dinâmica de disputa, o educador usou como base as regras do clássico jogo de cartas Super Trunfo, onde os participantes comparam atributos numéricos.
As cartas são embaralhadas e divididas. Quem tem o maior número na rodada ganha as cartas da mesa e as coloca no fundo do monte. O objetivo conquistar todos o baralho do adversário.
A pontuação de ataque foi definida pela entrega das lições. A defesa avaliou a disciplina. Já o drible mediu a participação. A estratégia de atrelar a força no jogo à sala de aula funcionou.
Para conseguir cartas mais fortes, muitos estudantes mudaram a postura e passaram a prestar mais atenção nas aulas. Marco Aurélio relata que alunos com histórico de indisciplina passaram a se comportar para não perder pontos de defesa nas cartinhas.
Aquele aluno que antes era muito agitado ou que sempre era retirado de sala mudou totalmente o comportamento. Ele percebeu que precisava estar presente, fazer o registro no caderno e participar das atividades para ter um atributo de defesa alto no jogo. Acabou que a figurinha virou um incentivo real para ele se manter na sala e aprender o conteúdo
Entre o desenho e a tecnologia, figurinhas artesanais ganham qualidade de álbum oficial e viram ferramenta de engajamento no cotidiano escolar
Murilo Corazza/g1
Como alguns estudantes tiraram nota máxima em todos os quesitos, o professor precisou ajustar as médias para equilibrar a competição.
A aluna Esther Silva dos Anjos, de 10 anos, comemorou as vitórias durante as rodadas no recreio. Fã de futebol, ela já tem planos para o baralho. A estudante pretende pegar um caderno com folhas brancas e colar as imagens para criar um álbum completo da turma.
"Vou pegar um livro e deixar as folhas brancas, meio que um caderno, e vou fazendo igual a um álbum. Vou colocar todo mundo da turma", planeja a garota.
Marco Aurélio conta que o processo de edição das imagens foi trabalhoso, mas presenciar a alegria dos alunos compensa qualquer cansaço. Segundo o educador, perceber que a proposta funcionou e levou inclusão para a vida das crianças é a parte mais gratificante da rotina escolar.
"Quando eles perguntam 'posso levar para casa?', isso acaba com a gente, destrói todo o cansaço e leva a gente ao chão. É muito gratificante saber que deu certo", finaliza.
Dinâmica de jogo utiliza regras baseadas no clássico 'Super Trunfo', onde atributos de ataque e defesa são definidos pelo desempenho escolar dos alunos
Murilo Corazza/g1
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