Bill Gates presta depoimento ao Congresso dos EUA em investigação sobre caso Jeffrey Epstein

Bill Gates assiste a uma partida de tênis, na Austrália.
Reuters
O bilionário Bill Gates, fundador da Microsoft, deve prestar depoimento nesta quarta-feira (10) a uma comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que investiga a atuação das autoridades federais no caso envolvendo Jeffrey Epstein, financista acusado de tráfico sexual de menores.
Segundo a Reuters, Gates participará de uma sessão privada do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara. O grupo apura possíveis falhas na condução das investigações e processos relacionados a Epstein e sua ex-associada, Ghislaine Maxwell.
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O presidente da comissão, o deputado republicano James Comer, havia solicitado em março que Gates comparecesse para uma entrevista presencial registrada oficialmente.
De acordo com o jornal The New York Times, Gates contratou Jake Greenberg, ex-principal investigador do comitê, para ajudá-lo a se preparar para o depoimento. Um porta-voz da comissão afirmou à Reuters que Greenberg não trabalha mais no órgão desde sua saída, em dezembro.
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Relação com Epstein
Bill Gates aparece ao lado de jovem cujo rosto foi ocultado em arquivos de Jeffrey Epstein
House Oversight Committee Democrats/ Handout via Reuters
Jeffrey Epstein se declarou culpado em 2008 por uma acusação relacionada à exploração sexual de menores na Flórida e cumpriu 13 meses de prisão.
Anos depois, em 2019, foi acusado por promotores federais de tráfico sexual de menores. Ele negou as acusações e morreu na prisão antes do julgamento, em uma morte considerada suicídio pelas autoridades.
Documentos divulgados neste ano pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que Gates e Epstein se encontraram diversas vezes após a condenação de 2008.
Segundo os registros, os encontros envolviam discussões sobre possíveis iniciativas filantrópicas e projetos sociais.
As divulgações também incluíram fotografias de Gates ao lado de mulheres não identificadas. O empresário já afirmou anteriormente que seu relacionamento com Epstein se limitava a conversas sobre filantropia e reconheceu que foi um erro ter mantido contato com ele.
Em fevereiro, Gates "assumiu a responsabilidade por seus atos" durante uma reunião com funcionários da Fundação Gates, segundo um porta-voz da organização ouvido pela Reuters.
Fundação Gates sob escrutínio
A relação entre Gates e Epstein também levou a Fundação Gates a iniciar uma investigação externa sobre os contatos do empresário com o financista, informou a instituição em abril.
Além disso, e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça mostraram trocas de mensagens entre Epstein e funcionários da fundação.
O que a comissão investiga
A comissão da Câmara analisa diversos aspectos do caso, incluindo a atuação das autoridades em investigações e processos judiciais, acordos firmados com acusados, a morte de Epstein na prisão, possíveis falhas no combate ao tráfico sexual, questões éticas e atrasos na divulgação de documentos oficiais.
A liberação de milhões de documentos internos pelo Departamento de Justiça revelou conexões de Epstein com figuras influentes da política, dos negócios, das finanças e da academia.
Entre os nomes citados nos documentos está o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que manteve convivência social com Epstein durante as décadas de 1990 e 2000.
A ex-procuradora-geral Pam Bondi, que deixou o cargo em abril, também foi alvo de críticas pela condução de temas relacionados ao caso. Trump resistiu por anos à divulgação dos arquivos, mas o Congresso aprovou posteriormente uma lei determinando a liberação dos documentos. ...