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AMFRI transforma associativismo em referência nacional de gestão pública

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AMFRI transforma associativismo em referência nacional de gestão pública

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A Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) completou 53 anos em 2026. Ao longo dessa história, a instituição se tornou uma das principais referências de gestão regional do Brasil. Fundada em 10 de abril de 1973, a entidade une os municípios de Balneário Camboriú, Balneário Piçarras, Bombinhas, Camboriú, Ilhota, Itajaí, Itapema, Luiz Alves, Navegantes, Penha e Porto Belo.
Ao todo, esse ecossistema possui mais de 850 mil habitantes em uma das regiões economicamente mais dinâmicas de Santa Catarina. Por trás do crescimento de cada uma dessas cidades, há uma estrutura técnica compartilhada que transforma a cooperação regional em serviços públicos mais eficientes e qualificados.
O modelo que sustenta esse trabalho é o associativo, ou seja, os municípios que não teriam condições de manter estruturas técnicas especializadas passam a ter acesso a elas de forma compartilhada, a um custo menor. Robison José Coelho, presidente da AMFRI e prefeito de Itajaí, explica como esse modelo fortalece a capacidade administrativa dos municípios:
“O associativismo permite que municípios de diferentes portes tenham acesso a serviços técnicos especializados que, individualmente, seriam financeiramente difíceis de manter. A AMFRI disponibiliza expertise em áreas estratégicas como engenharia, arquitetura, assistência social, educação, movimento econômico e meio ambiente, reduzindo custos administrativos e elevando a qualidade técnica das ações desenvolvidas”, afirma o presidente.
Robison destaca ainda que o associativismo não atua apenas na prestação de serviços técnicos. O objetivo da AMFRI é garantir, inclusive, inteligência de gestão compartilhada para que todos os municípios associados se desenvolvam juntos.
"Desafios como mobilidade urbana não se restringem às fronteiras municipais e exigem soluções integradas e coordenadas. Nesse sentido, o modelo associativista atua simultaneamente como um mecanismo de fortalecimento institucional e como uma voz coletiva para as demandas dos municípios, ampliando sua capacidade de articulação junto a diferentes esferas de governo", ressalta.
Mais de 20 colegiados e um ecossistema de governança regional
A estrutura da AMFRI conta hoje com 22 colegiados ativos, que cobrem áreas como agricultura e pesca, assistência social, comunicação, contadores públicos, controle interno, cultura e outros tópicos essenciais para o crescimento das cidades. Em 2025, esses colegiados realizaram 150 reuniões, com a presença de gestores e técnicos municipais. Para o presidente, os colegiados são oportunidades para transformar desafios individuais em soluções coletivas.
“Os colegiados configuram um verdadeiro ecossistema de governança regional. Atuamos em quatro pilares estratégicos: fortalecimento da governança e segurança jurídica, difusão de boas práticas, ganho em escala e visão integrada da região, e profissionalização da gestão pública. O resultado direto desse esforço é uma administração pública mais resiliente, capaz de executar políticas de forma coordenada e de entregar serviços de maior qualidade à população de toda a região”, destaca Robison.
Essa percepção é compartilhada pelos próprios participantes. Em pesquisa de satisfação realizada com 85 representantes dos colegiados ativos, 47% avaliaram o funcionamento como excelente e 35% como bom. Quando perguntados se os temas discutidos são importantes para o desenvolvimento de sua área no município, 97% afirmaram que sim.
Entre as áreas de atuação da AMFRI, a engenharia se destaca pelo volume e impacto financeiro direto nos municípios. Somente em 2025, a assessoria de engenharia e arquitetura executou 185 ações nos municípios associados, que totalizou R$ 410,8 milhões em projetos. A economia estimada para as prefeituras, calculada com base na tabela do Sindicato dos Engenheiros de Santa Catarina (SENGE/SC), chegou a R$ 16,4 milhões em honorários que não precisaram ser pagos a consultorias privadas.
Mais de 25 capacitações e 1.050 técnicos formados
A capacitação contínua de gestores e servidores municipais é outro pilar central da atuação da AMFRI. Em 2025, a associação realizou mais de 25 capacitações, com mais de 1.050 participantes. Para Robison, esse trabalho é estratégico para garantir a qualificação regional.
“A capacitação contínua de gestores e servidores municipais constitui um dos principais pilares da profissionalização da administração pública, convertendo diretrizes e objetivos políticos em resultados concretos para a população. No contexto do associativismo, esse processo ganha ainda mais relevância, pois a qualificação deixa de ocorrer de forma pontual e isolada para se consolidar como uma estratégia permanente de fortalecimento da gestão pública em âmbito regional”, afirma o presidente.
Uma região estratégica em momento de transição
A região de Foz do Rio Itajaí conta com atividades econômicas estratégicas para Santa Catarina, como a logística portuária, turismo, agricultura, pesca e construção civil. Toda essa pluralidade faz dela uma das regiões mais importantes para o desenvolvimento de Santa Catarina. Diante desse cenário, Robison aponta o papel da AMFRI como central para garantir a continuidade do crescimento.
“A AMFRI atua como uma central de planejamento, articulação e promoção turística regional, convertendo a diversidade econômica da Foz do Rio Itajaí em uma vantagem competitiva compartilhada. Em uma região onde setores estratégicos como a atividade portuária, o turismo e a construção civil operam em padrões cada vez mais integrados e competitivos, a associação fornece o suporte técnico necessário para que os municípios não apenas acompanhem o desenvolvimento, mas conduzam esse processo de forma sustentável e coordenada”, afirma.
Mas o crescimento acelerado dos últimos anos trouxe desafios estruturais que exigem respostas de escala regional. Robison aponta quatro frentes prioritárias: a saturação da infraestrutura e mobilidade urbana, pressionada pelo crescimento da construção civil e pelo fluxo logístico portuário; a resiliência climática e o saneamento, em uma região vulnerável a eventos hidrológicos extremos; a adaptação à Reforma Tributária, com a transição para o novo modelo fiscal baseado no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS); e o equilíbrio entre setores econômicos, para garantir que a expansão imobiliária e turística não inviabilize atividades tradicionais como a pesca e a agricultura familiar.
O próximo passo da Associação, segundo Robison, passa pela criação de uma Agência de Desenvolvimento Regional, capaz de promover investimentos, estruturar projetos estratégicos e articular o setor público com a iniciativa privada. ...

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