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Gato-palheiro-pampeano: um dos felinos mais raros do mundo enfrenta o último estágio antes da extinção

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Gato-palheiro-pampeano: um dos felinos mais raros do mundo enfrenta o último estágio antes da extinção

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Gato-palheiro-pampeano: um dos felinos mais raros do mundo enfrenta perigo de extinção
O gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai), um dos felinos mais raros do Brasil, passou a ser oficialmente reconhecido como espécie e entrou para a lista nacional da fauna ameaçada de extinção na categoria "Criticamente em Perigo", o último estágio antes da extinção na natureza. A inclusão consta na Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.
Essa novidade oficializa um cenário que pesquisadores já vinham descrevendo como grave. Discreto, difícil de ser visto e restrito a áreas de campos nativos do sul do Rio Grande do Sul, Uruguai e nordeste da Argentina, o animal é conhecido entre especialistas como o “fantasma dos pampas” por sua raridade e comportamento esquivo.
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O reconhecimento formal como espécie própria tem peso porque, por muito tempo, o gato-palheiro-pampeano foi tratado como uma subespécie de outro felino. Somente análises genéticas e morfológicas recentes confirmaram que o Leopardus munoai é uma espécie distinta.
Para os especialistas, essa mudança torna o quadro de conservação mais delicado porque indica que a população do animal é menor e mais frágil do que se imaginava. Em vez de estar diluído em um grupo maior, o felino passa a ser observado como uma espécie própria, com distribuição limitada e ameaças específicas.
Com pelagem pardo-acinzentada, orelhas triangulares e focinho rosado, o animal possui uma camuflagem perfeita para se esconder na vegetação seca do Pampa.
🔍🍃O bioma Pampa, também conhecido como campos sulinos, está localizado no Brasil exclusivamente no Rio Grande do Sul, onde cobre 63% do território, mas também se estende pelo Uruguai, Argentina e Paraguai. O termo, de origem quíchua, significa "região plana" e descreve a paisagem dominante de planícies e relevos suaves, as chamadas coxilhas, cobertas por vegetação rasteira. Considerado um patrimônio cultural, o bioma possui uma rica biodiversidade, com cerca de 3 mil espécies de plantas e quase 500 de aves. Sua paisagem está historicamente associada à cultura gaúcha e à pecuária em campo nativo, prática que ajudou a conservar seus ecossistemas.
Um dos dados mais alarmantes é de que menos de 1% das áreas consideradas de alta qualidade para o gato-palheiro estão dentro de unidades de conservação. Isso significa que os melhores refúgios para a espécie estão quase totalmente desprotegidos.
A espécie depende especificamente dos campos nativos, ecossistema encontrado em áreas de pecuária tradicional, que está se tornando cada vez mais raro.
"Onde tem essa pecuária tradicional, onde tem o gado, aquela figura do gaúcho a cavalo tocando gado, é onde está o gato-palheiro", afirma Felipe Peters, biólogo e pesquisador.
Dados levantados pelo projeto Felinos do Pampa mostram que, em apenas 15 anos, o habitat nativo do felino diminuiu mais de 25%. No mesmo período, as áreas destinadas à agricultura, como plantações de soja, e à silvicultura, para produção de papel e celulose, cresceram quase 30%, substituindo diretamente o ambiente do animal.
Gato-palheiro-pampeano: um dos felinos mais raros do mundo enfrenta o último estágio antes da extinção
Felipe B. Peters/Felinos do Pampa
Além da perda de território, o gato-palheiro enfrenta outras ameaças graves. Entre elas estão a predação por cães domésticos, atropelamentos em rodovias que cortam seu habitat, incêndios utilizados para manejo de pastagens e a caça por retaliação, quando o felino preda animais de criação.
Para tentar reverter o cenário, especialistas do Felinos do Pampa atuam em várias frentes. As ações incluem a sinalização de pontos críticos de atropelamento, campanhas de vacinação de animais domésticos para evitar a transmissão de doenças e o diálogo com produtores para mitigar a caça retaliativa.
A principal estratégia, contudo, é combater a perda de habitat.
"É um bicho que sempre ficou escondido. E a gente, nesses últimos anos, está batalhando para que as pessoas conheçam ele, assimilem o valor que esse bicho teme porque ele é aqui do sul, é um gato gaúcho", completa Peters.
Saiba mais sobre o gato-palheiro-pampeano
🧬 Um estudo realizado pelos pesquisadores Fabio Oliveira do Nascimento, Jilong Cheng e Anderson Feijó, a partir da análise de 142 exemplares conservados em mais de 20 museus de história natural ao redor do mundo, mostrou que são cinco espécies conhecidas como "gato-palheiro" (sendo o pampeano a mais ameaçada no Brasil):
Leopardus colocola (Chile central), Leopardus pajeros (Argentina central e sul), Leopardus garleppi (Andes tropicais), Leopardus braccatus (Cerrado e Pantanal brasileiros), e o Leopardus munoai.
'Fantasma dos Pampas': conheça o gato selvagem que vive no RS e é um dos mais raros do mundo
Características: adultos pesam de 2 a 6 kg. A pelagem varia de cinza a pardo, com listras pretas nas patas. O nariz é rosado, e as orelhas são triangulares.
Hábitos: ativo de dia e de noite, sua dieta inclui rãs, aves e pequenos roedores.
Ocorrência: espécie endêmica do Pampa, restrita ao sul do Rio Grande do Sul, Uruguai e nordeste da Argentina.
Infográfico - Perda de habitat e ameaças diretas colocam gato-palheiro-pampeano em risco de extinção
Arte/g1
Como ajudar a proteger os felinos silvestres
Cuidado nas rodovias: respeite os limites de velocidade, principalmente à noite.
Guarda responsável: mantenha cães e gatos domésticos em casa e com a vacinação em dia.
Ataque a animais de criação: caso um felino ataque galinhas ou outros animais, entre em contato com órgãos ambientais como a Polícia Ambiental (190) ou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) (0800 061 8080).
Denuncie: caça, captura ou manutenção desses animais em cativeiro é crime.
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