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"Achei que ia morrer", diz vítima de milícia digital em Macapá sobre invasões e ameaças

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"Achei que ia morrer", diz vítima de milícia digital em Macapá sobre invasões e ameaças

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Operação investiga milícia digital e crimes eleitorais no Pará e dois estados
A Polícia Federal identificou uma estrutura dentro da Prefeitura de Macapá que, segundo os investigadores, usava recursos públicos para financiar produção de conteúdo político nas redes sociais, ataques a adversários e pagamentos a influenciadores digitais. O esquema, alvo da Operação Palanque Digital, teria movimentado mais de R$ 25 milhões.
Pessoas ligadas à investigação relataram à Rede Amazônica episódios de ameaças, invasões e intimidações após o avanço das apurações.
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Um dos relatos é do psicólogo Gleidson Alves Barros, apontado pela PF como operador da estrutura. Segundo ele, um homem armado invadiu seu apartamento em busca do celular onde estariam armazenadas informações relacionadas ao funcionamento do grupo.
"A minha casa foi monitorada. Tinha um carro passando, gravando o meu apartamento o tempo todo. E a minha casa também foi invadida por uma pessoa desconhecida, querendo o celular onde tinha informações, e estava armado. Eu achei que naquele momento ia morrer. Eu estava amarrado em cima da cama e ele ficava insistindo e pedindo o celular. Queria saber se eu tinha informações contra o prefeito", afirmou.
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Dr. Furlan, ex-prefeito de Macapá, é alvo de operação por suspeita de usar milícia digital para atacar opositores
Segundo a PF, o episódio integra o conjunto de fatos investigados na Operação Palanque Digital, realizada no dia 25 de junho.
Como a estrutura funcionava
De acordo com relatório da PF, a estrutura funcionava dentro da Prefeitura de Macapá e reunia agentes públicos, produtores de conteúdo e influenciadores digitais. O grupo produzia publicações favoráveis ao então prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan e ataques a adversários. A PF aponta o ex-prefeito e atual pré-candidato ao Governo do Amapá como principal beneficiário, com indícios de que tinha conhecimento e concordava com a atuação.
O núcleo de coordenação era composto por pessoas ligadas diretamente à administração municipal:
José Furlan Neto (irmão do ex-prefeito): mencionado como um dos coordenadores políticos do grupo, articulava operadores da estrutura digital e pagamentos.
José Ivo Melo Souza, então secretário de gabinete: apontado como integrante do núcleo central de coordenação política.
Gleidson Alves Barros: desempenhava função operacional estratégica, administrando páginas e produzindo conteúdo.
Juarez Pantoja Menescal de Sousa, ex-secretário de comunicação: considerado um dos principais coordenadores, definia pautas, aprovava conteúdos e gerenciava páginas.
Diego Cesar dos Santos Silva Trajano, ex-secretário de comunicação e depois de articulação institucional: apontado como responsável pela orientação política dos conteúdos.
O relatório também cita duas servidoras da Secretaria Municipal de Comunicação responsáveis pela formalização e prorrogação de contratos com uma empresa de comunicação que teria dado suporte financeiro à rede.
O que os áudios revelam
Além dos depoimentos, a investigação reúne conversas analisadas pela PF entre Gleidson Alves Barros, Juarez Menescal e um influenciador digital. Os diálogos mostram orientações para produção de conteúdos contra adversários políticos, discussões sobre alvos das publicações e negociações de pagamentos.
"Tu cria a página aí. Cria bacana. Bota ela no padrão de portal de notícias e tal. (...) Da forma que tu acha que ela vai ter engajamento. Aí tu me manda. (...) Eu vou dizer pro Juarez, olha, essa página aqui é minha. Vê se tu aumenta mais mil, mais mil e quinhentas aí."
Segundo a PF, Gleidson considerou insuficiente o valor sugerido e afirmou que Juarez costumava pagar mais pelas publicações:
"Bora mano, a gente divide essa ração aí, não dá em nada, pega aí, mas tá muito baixo, o Juarez paga mais, tem que valorizar mais essa página aí."
Produção de ataques
A perícia da Polícia Federal analisou áudios que mostram a elaboração de peças de ataque contra adversários políticos, incluindo uma montagem do governador “com as mãos cheias de sangue”. Os elementos apontam para uma estrutura formada por gestores públicos, produtores de conteúdo e influenciadores digitais.
O que diz a PF sobre o caso
Em entrevista à Rede Amazônica, o superintendente da PF no Amapá, Milton Neves, afirmou que a estrutura era financiada com recursos públicos por meio de contratos com uma agência de publicidade, responsável pelos repasses a administradores de páginas.
“Desinformação, fake news, conteúdos depreciativos e conteúdos elogiosos à pessoa do ex-prefeito, deixando transparecer que ele era um herói, enquanto os demais seriam vilões. E tudo isso pago com recurso público de uma maneira muito clara, sem qualquer preocupação. A ousadia era tão grande que esses repassavam dinheiro para a agência de publicidade e ela pagava para todos esses comunicadores digitais”, disse.
Segundo ele, contratos superiores a R$ 25 milhões foram destinados à agência, enquanto pessoas ligadas ao grupo também ocupavam cargos na Prefeitura de Macapá.
Relatos de intimidação
Os relatos de ameaças não se restringem a Gleidson Alves Barros.
À Rede Amazônica, o jornalista investigativo Juan Monteiro afirmou que um colaborador que possuía informações sobre a estrutura também teve a casa invadida:
"Um colaborador que eu contratei para minha empresa como freelancer, e que passou pela gestão, que tinha muitas informações sobre a milícia digital, teve a casa invadida, foi ameaçado e tentaram capturar ilegalmente o celular dele, porque no aparelho tinham muitas informações. Mas o que eles não sabiam é que o aparelho já estava em posse da Polícia Federal para extração dessas informações que comprovam a existência de uma milícia digital que é bancada com dinheiro público para esmagar reputações, para perseguir pessoas e para desgastar qualquer um que se opõe ao projeto de poder."
Gleidson também detalhou o momento em que afirma ter sido rendido dentro de casa.
"Entrou e me levou até a sala. Pegou a arma, ficou engatilhando, começou a apontar para mim, perguntou se eu tinha alguma coisa contra o prefeito, se eu tinha o celular em mãos, se eu tinha algum conteúdo contra ele o tempo todo", disse Gleidson.
Em nota, a defesa de Dr Furlan afirma que até o momento nenhuma das suspeitas levantadas foi comprovada.
Segue nota oficial:
Dr. Furlan segue trabalhando e focado na pré-campanha ao Governo do Amapá, construindo um projeto sério para o estado. Desde o início da Operação Palanque Digital, nenhuma das suspeitas levantadas contra ele foi comprovada. Atribuir a ele a chefia de qualquer grupo investigado é uma afirmação grave e sem fundamento, que não corresponde à realidade dos fatos.
Vale ressaltar que os fatos investigados datam de 2024 e 2025, período em que Dr. Furlan não era pré-candidato a nenhum cargo. Não havia, portanto, qualquer motivação eleitoral que justificasse ataques a opositores que, à época, simplesmente não existiam.
A defesa acompanha as investigações com plena confiança nas instituições e reitera sua disposição para prestar todos os esclarecimentos que se fizerem necessários.
Dr. Furlan construiu sua trajetória pública com base no respeito à lei, à ética e à transparência. Esses valores falam por si e serão reafirmados no curso das investigações.
Juarez Menescal também se manifestou através de nota, afirmando confiar na Justiça e nas investigações.
Segue nota oficial:
Diante da divulgação de conversas privadas de WhatsApp no contexto da Operação Patrulha Digital, venho esclarecer que os diálogos divulgados não revelam qualquer prática ilegal ou irregular.
Trata-se de recortes retirados de contexto, que refletem a rotina de trabalho de quem atua com comunicação, marketing político e consultoria para agentes públicos, portais de notícias e empresas.
As conversas consistem em sugestões de pautas, debates editoriais e análises de cenário, práticas comuns em qualquer redação jornalística e inerentes ao exercício da liberdade de imprensa e da atividade profissional que desempenho há anos.
Minha atuação sempre esteve restrita às atribuições legais do cargo.
O vazamento dessas mensagens decorreu da atuação de uma pessoa que integrava um grupo interno de trabalho e que, após perder a confiança da equipe, divulgou conversas privadas de redação. A exposição de trechos isolados busca construir uma narrativa que não encontra respaldo no conteúdo integral dos diálogos.
Ainda assim, seguirei desempenhando meu trabalho com responsabilidade, respeito à lei e compromisso com a liberdade de expressão.
Tenho plena confiança na Justiça e nas instituições. Acredito que todos os fatos serão esclarecidos no momento oportuno e que a verdade prevalecerá.
Continuarei trabalhando com serenidade, convicto de que não há ilegalidade em minha atuação e de que nenhuma tentativa de intimidação será capaz de afastar meu compromisso com a ética, a legalidade e a democracia.
O governador do Amapá, Clécio Luis, emitiu nota de indignação sobre o assunto.
O governador do Amapá, Clécio Luís, recebe com profunda indignação, mas com total confiança na Justiça, os desdobramentos da Operação Palanque Digital, deflagrada pela Polícia Federal.
Mais do que um ataque sistemático a mandatos legítimos e à honra de homens públicos, o que as investigações revelam é um crime grave contra a própria população e a democracia. O desvio estimado em R$ 25 milhões de recursos que deveriam ser aplicados na saúde, na educação e no bem-estar dos cidadãos para financiar uma indústria de mentiras e assassinatos de reputação é inadmissível.
Ao longo de quase quatro anos, o governador Clécio Luís e sua gestão foram alvos deliberados de uma estrutura profissionalizada de desinformação, que utilizou desde perfis falsos até tecnologias de manipulação de voz por inteligência artificial para tentar desestabilizar o Estado e enganar o eleitorado.
O Amapá não pode ficar refém de métodos criminosos que tentam substituir o debate de ideias e o trabalho sério pelo pânico digital e pela destruição de imagens públicas. O governador reitera seu respeito absoluto ao trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, e espera que todos os envolvidos sejam devidamente responsabilizados, garantindo que o patrimônio público seja ressarcido e que a verdade prevaleça.
Prefeitura Municipal de Macapá
Mariana Ferreira/g1
Polícia Federal no Amapá
Polícia Federal/Divulgação
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