Caso Thiago Oseas: Mais dois acusados de matar atleta após suposto gesto de facção em foto vão a júri no AC

Thiago Oseas, jogador pernambucano assassinado em março de 2024 após fazer suposto gesto de facção em foto no Acre
Reprodução
Dois anos após o assassinato do jogador pernambucano Thiago Oseas Tavares da Silva, de 18 anos, em março de 2024, a Justiça do Acre decidiu levar a júri popular mais dois envolvidos na morte do jovem.
Francivaldo Barrozo de Chaves e Pablo Rodrigo Farias de Sousa foram pronunciados pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco. A Justiça também decidiu manter a prisão preventiva dos acusados.
O g1 entrou em contato com a defesa de Francivaldo e, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno. Já Pablo é representado pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AC), que não costuma se manifestar sobre os casos.
📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp
A decisão destaca que, segundo a denúncia do Ministério Público (MP-AC), Thiago foi morto após homens armados invadirem uma festa no bairro Santa Inês, retirarem algumas pessoas da residência e analisarem celulares das vítimas em busca de indícios de ligação com uma facção rival.
Jogador pernambucano assassinado no Acre iria disputar campeonato sub-20
Na foto que foi o estopim para o caso (veja no início da reportagem), o rapaz aparece ao lado de uma piscina e fazendo o símbolo de 'amor e paz', que também é associado à facção Comando Vermelho.
Conforme a investigação, ao encontrarem uma foto em que o atleta fazia um gesto com as mãos interpretado pelos acusados como símbolo de uma facção rival, ele foi executado.
LEIA MAIS:
Justiça mantém condenação de acusados de matar atleta após suposto gesto de facção em foto no Acre
Trio acusado de matar jogador de 18 anos por foto com suposto gesto de facção vai a júri popular no AC
'Ficha ainda não caiu', diz mãe de jogador de futebol morto no Acre após foto com gesto associado a facção
Treinador de jogador que foi assassinado no AC exalta atleta e diz que família está em choque
Segundo a decisão, assinada pelo juiz Alexandre Costa de Farias, relatos das vítimas que sobreviveram foram compatíveis ao apontar essa dinâmica.
O magistrado entendeu que há materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que os acusados sejam julgados.
A acusação sustenta que Francivaldo, apontado como líder da organização criminosa, teria autorizado a execução. O juiz também menciona que imagens de Thiago teriam sido enviadas ao celular do criminoso antes do homicídio.
"Os relatórios de investigação [...] registram que, antes da execução do homicídio, Francivaldo recebeu fotografias da vítima Thiago e imagens contendo o gesto manual posteriormente interpretado pelos executores como indicativo de vinculação ao Comando Vermelho", detalha o texto.
Em relação a Pablo, a decisão aponta indícios de participação direta no crime ao invadir a residência, render as vítimas e as levar para um terreno baldio. "Circunstâncias suficientemente demonstradas pelos depoimentos das vítimas sobreviventes e pelas demais provas constantes dos autos", destaca a decisão.
Na decisão, o magistrado considerou que existem elementos que indicam que a vítima foi morta exclusivamente pela suposta associação a uma facção rival, circunstância que caracteriza a qualificadora de motivo torpe.
A decisão também manteve a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, o texto destaca que Thiago já estava dominado quando foi atingido pelos disparos.
Thiago Oseas Tavares da Silva e a mãe Rosa Maria Vilas Boas da Silva, jovem foi morto no Acre
Arquivo pessoal
Acusados condenados
Em agosto do ano passado, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) decidiu, por unanimidade, manter as condenações de Andrey Borges Melo, Darcifran de Moraes Eduíno Júnior e Kauã Cristyan Almeida Nascimento, acusados de assassinar Thiago Oseas.
Ao todo, eles foram condenados a quase 80 anos de prisão em penas somadas por homicídio qualificado com motivo torpe mediante emboscada, corrupção de menores, constrangimento ilegal e participação em organização criminosa, em júri popular em abril de 2025.
A defesa pediu a redução das penas, alegando erro na dosimetria, dupla punição pelo uso de armas de fogo e aplicação incorreta da agravante de liderança.
Acusados estão presos no Complexo Prisional de Rio Branco pela morte de Thiago Oseas Tavares da Silva
Reprodução
O relator, desembargador Samoel Evangelista, rejeitou os argumentos. Ele destacou que as consequências foram ainda mais graves porque a vítima era um jovem sem antecedentes criminais.
Já o agravante de liderança foi mantida em relação a Andrey Borges Melo, apontado como comandante da ação e executor direto do homicídio.
Na sentença da 1ª Vara do Tribunal do Júri, os réus receberam:
Andrey Borges Melo: 24 anos e 8 meses de reclusão, mais 150 dias-multa e 1 ano e 3 meses de detenção;
Darcifran de Moraes Eduíno Júnior: 32 anos e 10 meses de reclusão, além de 180 dias-multa e 1 ano e 10 meses de detenção;
Kauã Cristyan Almeida Nascimento: 21 anos e 8 meses de reclusão, além de 150 dias-multa e 1 ano de detenção.
Segundo a denúncia, em 31 de março de 2024, em Rio Branco, os três, acompanhados de adolescentes, executaram o jovem atleta Thiago Oséas Tavares Lima, de 18 anos, suspeito injustamente de ligação com grupo rival. O corpo foi levado para Recife, em Pernambuco, onde o jogador morava.
Thiago Oseas estava em uma festa de aniversário quando o local foi invadido por um grupo criminoso, ele teve o celular vasculhado, foi levado para outra rua e baleado. Ele morreu no local.
O jogador estava à disposição da base do Santa Cruz-AC e havia chegado ao Acre duas semanas antes do crime para disputar o Campeonato Acreano Sub-20. Ele morava junto com outros jogadores em um alojamento na capital.
Em um vídeo publicado pelo ge AC, o treinador disse que o jovem era exemplar e sonhava se tornar um jogador de futebol profissional.
Reveja os telejornais do Acre ...
이 뉴스, 어떠셨어요?
탭 한 번으로 반응 · 로그인 불필요