Práticas de desmatamento no Brasil colocam EUA em desvantagem, diz representante comercial americano

Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025.
Piroschka van de Wouw/Reuters
O Representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou durante uma audiência no Comitê de Finanças do Senado americano, nesta quarta-feira (22), que as práticas de desmatamento que acontecem no Brasil colocam os agricultores americanos em desvantagem competitiva.
Greer também afirmou que os "padrões ambientais mais baixos em outros países justificam tarifas mais altas".
Como o g1 já mostrou, o desmatamento ilegal foi um dos principais argumentos do governo americano para justificar o novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, anunciado após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA.
Entre essas práticas estaria a prática de preços mais competitivos de produtos como madeira e carne que, segundo a investigação americana, só seriam mais baixos porque os produtos são produzidos em áreas de crimes ambientais.
Para sustentar essa acusação, o documento recorre principalmente a dados de desmatamento, mas cita índices já defasados. Um deles é o aumento do desmatamento em 2021, um dos maiores que o país já viveu, durante o governo de Jair Bolsonaro.
Embora os dados sejam reais, o documento ignora novo números que mostram a redução dos índices e das ilegalidades. Por exemplo, o país ter a menor taxa de desmatamento na Amazônia em mais de dez anos em 2025.
Ministro rebate acusações
Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou nesta quinta-feira (16) que os argumentos sobre desmatamento no Brasil utilizados pelos Estados Unidos como justificativa para o novo tarifaço contra produtos brasileiros são "absolutamente improcedentes".
"Os argumentos utilizados pelo governo norte-americano para justificar as tarifas são absolutamente improcedentes, não tem nenhum fundamento técnico, não está baseado em nenhuma informação comprovável", afirmou Capobianco.
O ministro afirmou que toda a madeira exportada pelo Brasil é certificada e passa por um sistema rigoroso de fiscalização, reiterando que a informação utilizada pelo governo americano é "absolutamente inverídica".
"O sistema de exportação de madeira é hoje um dos mais rigorosos de todo o sistema de controle ambiental por exigência, inclusive, do mercado internacional. Toda a madeira exportada é certificada. Ela tem acompanhamento desde a origem na floresta até o embarque, os técnicos do Ibama e da Receita monitoram as cargas. Não é possível, em nenhum porto brasileiro, exportar uma madeira sem a verificação e a comprovação da cadeia de custódia", disse o ministro.
Tarifaço começou a valer nesta quarta-feira
As afirmações acontecem no mesmo dia em o novo tarifaço de 25% imposto pelo governo americano sobre produtos brasileiros começou a valer. A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA.
A expectativa é que uma outra taxa adicional — que deve ficar entre 10% e 12,5% — seja anunciada nos próximos dias sobre 60 países, incluindo o Brasil. Nesse último caso, a taxa seria aplicada com base em investigações sobre práticas de trabalho forçado.
*Esta reportagem está em atualização
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