Ex-chefe da PM de SP citado em operação contra o PCC já havia sido mencionado em outras investigações

Ministério Público e polícia de São Paulo fazem operação contra lavagem de dinheiro do PCC
Na operação deflagrada nesta terça-feira (21), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) mira uma organização financeira clandestina apontada como responsável por movimentar dinheiro para criminosos e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Registros de áudio e planilhas financeiras apreendidas revelam proximidade de suspeitos com oficiais da Polícia Militar de São Paulo e registro de repasses de valores em espécie, inclusive a oficiais de alta patente.
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Entre os militares citados estão o coronel Luiz Carlos Pereira Martins, que participava de um grupo de WhatsApp com investigados e teria se disposto a intermediar contatos, o ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo e um coronel identificado como “Patrício”, cujo nome aparece em planilhas financeiras, inclusive em uma anotação de pagamento de R$ 1 mil. Um áudio também fala na obtenção de R$ 100 mil para pagar policiais do Deic, sem os identificar.
Os policiais citados não são alvos da operação, não foram denunciados e não são formalmente acusados no caso. As informações serão encaminhadas à Corregedoria da PM.
Promotor que investiga o PCC alertou ex-chefe da PM
Coutinho comandou a Rota, o Comando de Policiamento de Choque e, depois, toda a Polícia Militar paulista. Ele deixou o comando-geral em abril de 2026 e pediu para ir para a reserva, enquanto a Corregedoria investigava a atuação de PMs na segurança privada de dirigentes da Transwolff, empresa de ônibus apontada pelo Ministério Público como ligada ao PCC.
A menção na operação desta terça ocorre poucos meses após vir a público o depoimento do promotor Lincoln Gakiya à Corregedoria. Ouvido em março, quando Coutinho ainda comandava a PM, Gakiya relatou suspeitas de vazamento de operações sigilosas realizadas com apoio da Rota na época em que o oficial chefiava a unidade.
Segundo o promotor, durante a Operação Sharks, em 2020, informações teriam chegado à cúpula do PCC antes do cumprimento dos mandados. Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, apontado à época como o principal integrante da facção em liberdade, conseguiu fugir. Gakiya também afirmou que uma reunião entre investigadores, policiais da Rota e um informante teria sido gravada e vendida por R$ 5 milhões a Tuta.
O promotor declarou ter comunicado Coutinho sobre a suspeita de que os vazamentos haviam partido de policiais da unidade. Disse ainda o ter alertado de que integrantes da Rota faziam “bicos” para empresas de ônibus ligadas ao PCC. Segundo ofício do Ministério Público Militar, não foram encontradas informações de que o então comandante tenha adotado medidas investigativas ou disciplinares.
Gakiya, que é do Grupo de Atuação especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, tem apurações que envolvem o PCC há mais de 20 anos e é considerado um dos principais investigadores da facção no Brasil.
O coronel da PM José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar do Estado de SP.
Divulgação/GESP/Secom
Mencionado por PM
Em fevereiro de 2026, três PMs haviam sido presos em um desdobramento da investigação sobre a Transwolff. Entre eles estava o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, que afirmou ter trabalhado na segurança privada da empresa entre 2020 e 2024.
Romano disse à Corregedoria que, em 2020, Coutinho, então major e comandante da Rota, tentou convencê-lo a permanecer na tropa mesmo sabendo do trabalho particular. Segundo o sargento, Coutinho teria reconhecido que havia “bandido fazendo bico” na empresa, mas também mencionado que familiares seus já haviam realizado atividades semelhantes. Romano afirmou ainda que, após deixar a Rota, Coutinho o ajudou a ser transferido para o batalhão em que queria trabalhar.
A Transwolff passou a ser investigada pelo Gaeco na Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024. Segundo os promotores, a empresa utilizava laranjas e empresas de fachada em um esquema de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC. A companhia sempre negou vínculo com a facção.
Delator do PCC
Ainda em 2024, o empresário Antonio Vinicius Gritzbach, conhecido como “delator do PCC”, afirmou em acordo de colaboração premiada que policiais da Rota faziam a segurança de integrantes importantes da organização criminosa.
Apesar de não citar o coronel Coutinho, as declarações reforçaram as suspeitas de que policiais da unidade mantinham relações com integrantes da facção.
O que diz a defesa
O g1 contatou a defesa do coronel José Augusto Coutinho, que, por meio de nota, disse que "até o momento, não obteve acesso aos autos do procedimento relacionado à operação deflagrada pelo GAECO na manhã de terça-feira".
"Sem prejuízo da análise dos elementos da investigação, a defesa reafirma a integridade e a correção com que o Coronel Coutinho sempre exerceu suas funções e está certa de que, no curso do procedimento, será demonstrada a inexistência de qualquer envolvimento de sua parte nos fatos investigados", afirmou. ...
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