Jovem que tenta retirar nome da mãe dos documentos procurou Conselho Tutelar ainda criança para denunciar violências

O relato da jovem que trava batalha judicial para retirar nome da mãe de todos documentos
Documentos do Conselho Tutelar aos quais o Fantástico teve acesso mostram que a jovem que tenta retirar nome da mãe dos documentos começou a denunciar a própria mãe ainda na infância. Registros obtidos pela reportagem revelam que, aos 11 anos, a jovem procurou ajuda para relatar agressões, maus-tratos e situações de violência vividas dentro de casa.
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O primeiro registro localizado é de abril de 2010. Segundo o documento, Larissa ligou para o serviço de denúncias e relatou que uma das irmãs teve a língua queimada pela mãe e que os filhos eram frequentemente agredidos. Após a denúncia, Patrícia Alves Duque foi convocada pelo Conselho Tutelar.
Pouco tempo depois, em maio do mesmo ano, a então criança voltou a procurar ajuda. Dessa vez, informou que uma irmã havia sido queimada pela mãe após pegar uma moeda e também havia apanhado. A mãe foi novamente chamada e assinou um termo de responsabilidade, comprometendo-se a zelar pela filha.
Os documentos também mostram que, em agosto de 2010, o pai de Larissa procurou o Conselho Tutelar para pedir apoio psicológico à filha, que apresentava quadro de depressão. Na ocasião, Patrícia recebeu uma nova notificação para comparecer ao órgão. Depois disso, não há registros que esclareçam os desdobramentos do caso.
Hoje com 28 anos, Heloísa afirma que os maus-tratos continuaram ao longo da adolescência e que procurou diferentes vezes as autoridades em busca de ajuda. Segundo ela, os episódios registrados pelo Conselho Tutelar representam apenas parte do que viveu dentro de casa.
As denúncias da infância se tornaram um dos elementos utilizados no processo em que Heloísa tenta retirar o nome da mãe de seus documentos. A Justiça reconheceu a gravidade dos relatos e das provas apresentadas, autorizando a mudança de nome e a retirada do sobrenome materno. O pedido para excluir completamente a filiação dos registros civis, porém, foi negado em primeira instância e está em fase de recurso.
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Novas investigações
Em 2025, Heloísa registrou uma nova denúncia contra a mãe, desta vez por violência doméstica, perseguição e pela suposta participação nos abusos sexuais relatados ao longo dos anos. A Justiça concedeu medida protetiva determinando que a mãe mantenha distância mínima de 500 metros da filha.
O caso é investigado pela Polícia Civil. Segundo a reportagem, a suspeita ainda não havia sido formalmente ouvida porque não foi localizada pelas autoridades.
Ao Fantástico, a mãe negou as acusações de maus-tratos, de conivência com abusos sexuais e de ter recebido dinheiro para permitir o contato da filha com homens. Também afirmou que a filha inventou histórias ainda na infância para poder morar com o pai.
Hoje, Heloísa trabalha em um banco, mora com a companheira e afirma que a retirada definitiva do nome da mãe dos documentos representa uma etapa importante de reconstrução pessoal. "Quero me livrar disso", disse.
O relato da jovem que trava batalha judicial para retirar nome da mãe de todos documentos
Reprodução/TV Globo
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