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Isa Scherer revelou ter diabetes gestacional; condição traz riscos e não costuma dar sintomas

G1 (Globo)
Isa Scherer revelou ter diabetes gestacional; condição traz riscos e não costuma dar sintomas

Aos poucos, a chef e influenciadora Isabella Scherer foi explicando aos seguidores o motivo de andar mais afastada das redes.
Grávida do terceiro filho, a vencedora do MasterChef Brasil 2021 revelou que recebeu o diagnóstico de diabetes gestacional e passou a conviver com medições frequentes de glicose, mudanças na alimentação e aplicações de insulina —uma rotina que decidiu dividir com o público para mostrar como tem enfrentado os ajustes da gravidez.
A condição que ela tornou pública é mais comum do que parece e, na maioria das vezes, não dá nenhum aviso.
Estima-se que a diabetes gestacional atinja cerca de 18% das gestações no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. No mundo, aproximadamente um em cada seis bebês nasce de uma mãe que teve algum grau de glicose alta durante a gravidez.
A influenciadora Isabella Scherer revelou ter recebido o diagnóstico de diabetes gestacional.
Reprodução/Instagram
O que é a diabetes gestacional
Trata-se do aumento da glicose no sangue que aparece —ou é detectado pela primeira vez— durante a gestação. A origem está na placenta: à medida que a gravidez avança, ela produz hormônios que atrapalham a ação da insulina, responsável por levar o açúcar para dentro das células.
Para compensar, o pâncreas da mãe precisa trabalhar mais. Quando não dá conta, a glicose se acumula no sangue.
Ao contrário de outros tipos de diabetes, ela costuma surgir na segunda metade da gestação e, em geral, desaparece depois do parto. Ter tido qualquer forma de diabetes antes de engravidar aumenta o risco de desenvolvê-la.
Quem tem mais risco
Alguns cenários exigem atenção redobrada. Segundo Patrícia Dualib, coordenadora do Ambulatório de Diabetes e Gestação da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora da Sociedade Brasileira de Diabetes, mulheres que tiveram um bebê com mais de quatro quilos em uma gravidez anterior ou que convivem com a síndrome dos ovários policísticos estão entre as mais suscetíveis.
A lista inclui ainda histórico familiar de diabetes, excesso de peso antes ou durante a gestação, hipertensão e episódios de glicose alterada em exames anteriores.
Ainda assim, não ter nenhum desses fatores não elimina a possibilidade. É por isso que o rastreamento vale para todas as gestantes, e não apenas para as de maior risco.
A diabetes gestacional geralmente se desenvolve durante o segundo ou terceiro trimestre da gravidez.
Just Life/Shutterstock.com
Um diagnóstico que costuma passar despercebido
O maior obstáculo é o silêncio: a diabetes gestacional raramente provoca sintomas, o que torna o exame a única forma confiável de identificá-la. O rastreamento começa já na primeira consulta de pré-natal, com uma dosagem de glicose em jejum, e se completa com o teste de tolerância à glicose —a chamada curva glicêmica— feito entre a 24ª e a 28ª semana.
O período não é escolhido por acaso. De acordo com Fernando Valente, coordenador do Departamento de Educação em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes, é nessa fase que os hormônios da placenta atingem o auge de atividade, elevam a resistência à insulina e exigem o máximo do pâncreas materno —por isso a alteração pode não aparecer no começo da gravidez.
Os valores de referência também mudam por causa da gestação. Durante a gravidez, explica o médico, a glicemia de jejum é considerada normal até 91 mg/dL; fora dela, o limite sobe para 99.
Os riscos para a mãe e para o bebê
Quando passa despercebida, a condição pode cobrar seu preço dos dois lados.
Para a mãe, aumenta a chance de doenças hipertensivas na gravidez, incluindo a pré-eclâmpsia, e de parto prematuro.
Para o bebê, o excesso de glicose atravessa a placenta e faz o pâncreas do feto produzir insulina em excesso —hormônio que estimula o crescimento.
O resultado, aponta Patrícia, pode ser um recém-nascido macrossômico, com mais de quatro quilos, ou um quadro de hipoglicemia logo após o nascimento.
Como é o tratamento
O primeiro passo é ajustar o estilo de vida:
reeducação alimentar,
atividade física e
monitoramento regular da glicose resolvem boa parte dos casos.
Quando não bastam, a insulina é o tratamento de primeira escolha durante a gravidez —inclusive porque, pelo tamanho de sua molécula, quase não atravessa a placenta, o que a mantém segura para o bebê. É o caminho que Isa Scherer tornou público ao contar que passou a se aplicar.
A metformina, um comprimido, também é uma opção reconhecida pela Sociedade Brasileira de Diabetes, mas reservada a situações específicas.
Ela é recomendada quando a insulina não é viável —falta de acesso ao medicamento, grande dificuldade ou aversão à autoaplicação, ou quando a gestante restringe demais a alimentação para escapar das injeções— e pode ser somada à insulina quando doses altas não controlam a glicose ou o ganho de peso dispara.
Estudos mostram que o comprimido reduz o ganho de peso da mãe e diminui a frequência de hipertensão na gravidez e de bebês grandes demais.
O cuidado extra vem de uma diferença em relação à insulina: a metformina atravessa a placenta e chega ao bebê.
Por isso seus efeitos de longo prazo sobre a criança ainda são estudados, e o medicamento fica de fora quando há sinais de crescimento fetal restrito.
Não à toa, boa parte das mulheres que começam só com o comprimido acaba precisando associar insulina para chegar às metas.
Dá para prevenir?
A prevenção começa antes da gravidez. Chegar à gestação com peso adequado e com os fatores de risco sob controle é o que faz diferença, afirma Marcelo Steiner, ginecologista obstetra e membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Segundo o médico, o ambiente do útero influencia a saúde do bebê a longo prazo: cuidar do próprio metabolismo antes de engravidar ajuda a evitar que alterações desenvolvidas ainda na vida intrauterina se manifestem mais tarde.
O que acontece depois do parto
Na maioria das vezes, a glicose volta ao normal assim que o bebê nasce. Mas mulheres que tiveram diabetes gestacional devem repetir o exame de tolerância à glicose algumas semanas após o parto e seguem com risco maior de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.
Diagnosticar cedo, portanto, protege não só a gravidez em curso, mas também a saúde da mãe muito depois dela.
*Sob supervisão de Ardilhes Moreira. ...

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