오픈뉴스백과
오늘의 이슈오늘 10장그래프ONP 브리핑
뉴스개체 사전회사공식 자료라이브용어사전뉴스로 배우기홈피드 제보내 편향
...

오픈뉴스백과

집단지성 기반 뉴스 검증 플랫폼. 다양한 시각으로 뉴스를 이해합니다.

서비스

오늘의 이슈홈라이브뉴스공식 자료용어사전소개

법적 고지

개인정보처리방침이용약관콘텐츠 이용 안내

문의

문의하기

본 플랫폼에서 제공하는 뉴스 콘텐츠의 저작권은 각 언론사에 있으며, 무단 복제 및 배포를 금지합니다.

RSS 피드를 통해 수집된 콘텐츠는 각 원저작자의 라이선스 조건을 따릅니다. 오픈 라이선스(CC-BY 등) 콘텐츠는 해당 라이선스에 따라 출처를 표기합니다.

오픈뉴스백과는 뉴스 집계 및 검증 플랫폼으로, 개별 기사의 내용에 대한 책임은 해당 언론사에 있습니다.

이용자가 작성한 피드백, 팩트체크, 독자 제보 등의 콘텐츠에 대한 책임은 해당 작성자에게 있습니다.

콘텐츠 제거·정정이 필요하시면 문의하기에 남겨 주세요.

© 2026 오픈뉴스백과 (OpenNewsPedia). All rights reserved.

오늘의 이슈
미디어 커버리지1건1개 미디어
G1 (Globo)
세계
중도 성향

As vitórias de João Cândido contra a Marinha na Justiça, mais de 115 anos após a Revolta da Chibata

G1 (Globo)
As vitórias de João Cândido contra a Marinha na Justiça, mais de 115 anos após a Revolta da Chibata

Justiça aceita denúncia contra Marinha por ataques a João Cândido
Uma decisão da Justiça Federal determinou que a Marinha pague uma indenização por danos morais de R$ 300 mil aos familiares de João Cândido Felisberto, conhecido como o "Almirante Negro" e líder da Revolta da Chibata, em 1910.
A liderança de Cândido no motim que combateu as punições físicas como o uso de chibatas contra marinheiros — em sua maioria, negros — o fez se tornar um ícone das mobilizações antirracistas no Brasil após a abolição da escravidão.
A ação foi movida pelo filho de João Cândido, Adalberto Cândido, após a Marinha encaminhar, em 2024, um documento à Câmara dos Deputados no qual classificou a Revolta da Chibata como uma "deplorável página da história nacional" e desqualificar seus participantes com termos como "abjetos" e "reprovável".
A carta foi escrita pelo comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, em meio a um debate sobre a inclusão de Cândido no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Na sentença, a 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro reconheceu que as expressões utilizadas extrapolaram o direito à manifestação institucional e causaram dano moral ao descendente direto de João Cândido, seu filho.
Segundo a Justiça, a proteção jurídica da memória do marinheiro alcança também seus familiares e o filho possui legitimidade para pleitear reparação pelos danos sofridos em decorrência das declarações oficiais.
Além da indenização, o autor também pedia o reconhecimento dos efeitos econômicos e financeiros da anistia concedida a João Cândido.
Entre os pedidos estavam o reconhecimento da condição de militar reformado, promoções que o marinheiro teria recebido caso não tivesse sido expulso da Marinha por motivos políticos, a contagem do tempo de serviço e o pagamento de valores retroativos. Esses pedidos, no entanto, foram rejeitados pela Justiça.
João Cândido morreu em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos.
João Cândido liderou uma revolta de mais de 2.300 marinheiros em 1910
Arquivo Nacional
Segundo o historiador Álvaro Nascimento, especialista na história do marinheiro e professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o único processo em que João Cândido esteve de frente com a Marinha foi justamente o que o expulsou da Força, em 1912. Após o motim e antes de ser expulso, Cândido foi preso, internado como louco e sofreu tentativa de assassinato.
Após ser absolvido, ele nunca entrou com ação contra a Marinha solicitando algum tipo de reparo moral ou financeiro.
Em 2008, uma lei aprovada no Congresso concedeu anistia post mortem a João Cândido e aos demais marinheiros que participaram da revolta de 1910, reconhecendo a injustiça das punições sofridas na época e a legitimidade da causa.
'Racismo institucional'
A decisão sobre o pagamento da indenização de R$ 300 mil aos familiares de João Cândido não é a primeira vitória dos descendentes do marinheiro na Justiça.
Em uma Ação Civil Pública foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF), a Marinha já havia sido condenada, em maio deste ano, pela forma como descreveu Cândido e outros marinheiros na carta enviada ao Congresso em 2024.
Na época, o juiz Mario Victor de Souza determinou que uso das palavras extrapolou o debate técnico para atingir a honra dos anistiados e reproduz um "racismo institucional", já que foi dirigido a um grupo de homens negros que lutavam contra a tortura física nas Forças Armadas.
A decisão estabeleceu uma indenização de R$ 200 mil, a serem destinados a projetos que preservem a memória de Cândido.
O valor ficou bem abaixo dos R$ 5 milhões pedido pelo MPF e o órgão recorreu da decisão. O recurso ainda está em julgamento.
"Mas é uma decisão muito importante, porque ela demarca um limite muito claro no respeito à memória desses personagens e na impossibilidade de sua trajetória ser difamada como vem sendo difamada historicamente", celebrou Julio Araújo, procurador regional dos Direitos do Cidadão, em entrevista à BBC News Brasil na época da decisão.
"Ainda mais pelo fato de ser um personagem negro que lutou contra uma prática racista que eram as chibatadas."
Quando morreu, em 1969, João Cândido ainda inspirava medo nas autoridades', afirma o jornalista Fernando Granato
ARQUIVO GERAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
O caso julgado
Em abril de 2024, o comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, enviou uma carta à Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados com críticas ao projeto de lei que incluía João Cândido no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A proposta segue em tramitação.
Na carta, Olsen disse que, para a Marinha, a Revolta da Chibata foi uma "deplorável página da história nacional" em que "abjetos marinheiros" desrespeitaram a hierarquia e a disciplina e usaram equipamentos militares para "chantagear a nação". A conduta de João Cândido foi chamada de um "reprovável exemplo".
Em sua ação aberta contra a União, o MPF classificou a linguagem como "estigmatizante e pejorativa" e argumentou que a Marinha tem emitido manifestações institucionais públicas que atacam diretamente a memória de João Cândido.
O MPF também sustentou que esse tipo de discurso ignora a lei de anistia post mortem de 2008.
Durante a defesa da Marinha no processo aberto pelo Ministério, a Advocacia-Geral da União (AGU) argumentou que o envio da carta à Câmara era um exercício regular do diálogo interinstitucional e que a lei de anistia não impõe ao Estado um "dever de louvação histórica". A Marinha afirmou ter o direito de preservar suas próprias perspectivas sobre a história.
Mas na sua decisão de maio, o juiz Mario Victor de Souza considerou que houve abuso no exercício da liberdade de expressão institucional, da violação da lei de anistia e da perpetuação de racismo institucional.
Segundo Souza, a linguagem adotada pela Marinha não constitui exercício historiográfico, mas uma perpetuação de uma narrativa de inferiorização e de negação de humanidade. "Uma manifestação de racismo institucional em sua dimensão social", disse na sentença.
Para o procurador Julio Araújo, fica claro que, apesar de a Marinha poder ter sua posição contra a Revolta da Chibata, "ela jamais pode atacar a memória desse personagem [João Cândido] e do símbolo que ele representa para a população negra e para a sociedade brasileira como um todo".
"Ele foi um herói, como se reivindica, principalmente pela sua capacidade de mostrar como atos formais de libertação, como foi a abolição da escravatura, são insuficientes diante da perpetuação do racismo e de práticas racistas", disse o procurador após a sentença de maio.
Apesar de condenar a União a pagar R$ 200 mil, o juiz julgou improcedente o pedido do MPF que buscava proibir a Marinha de se manifestar contra a inclusão de João Cândido no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Também preservou expressamente o direito da Marinha de manter seu posicionamento crítico sobre a quebra de hierarquia e disciplina.
Em nota, a AGU informou que ainda não foi intimada da decisão. A BBC News Brasil também entrou em contato Marinha, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
A Revolta da Chibata e a perseguição a João Cândido
Os marinheiros assumiram o comando de quatro navios
ARQUIVO GERAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
Em 21 de novembro de 1910, por um motivo até hoje incerto, o marinheiro Marcelino Rodrigues foi punido com 250 chibatadas no Rio de Janeiro.
Naquela época, faltas leves eram punidas pelos oficiais da Marinha com a prisão em solitária, a pão e água, por um período de três a seis dias.
Já as ofensas mais graves, como desrespeito à hierarquia, recebiam como castigo 25 chibatadas na frente de toda a tripulação e ao som do rufar de tambores.
O fato é que a sentença imposta a Marcelino revoltou um grupo de marinheiros negros que, cansado de sofrer castigos físicos de seus oficiais brancos, resolveu organizar um motim.
Sob a liderança de João Cândido, 2.379 marinheiros — em sua maioria, pretos e pardos — assumiram o comando de quatro navios de guerra — Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro —, que estavam ancorados na Baía de Guanabara.
Aos gritos de "Viva a liberdade!" e "Abaixo a chibata!", a marujada içou bandeiras vermelhas de insurreição, apontou 80 canhões na direção do Rio de Janeiro e ameaçou bombardear a então capital da República, caso suas exigências não fossem cumpridas: melhores salários, anistia aos revoltosos e, principalmente, o fim dos castigos.
Por essa razão, o motim, que durou apenas cinco dias, de 22 a 27 de novembro, entrou para a História como a Revolta da Chibata.
"Não podíamos admitir que, na Marinha do Brasil, um homem ainda tirasse a camisa para ser chibatado por outro homem", declarou João Cândido, em depoimento ao Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio, em março de 1968.
Um tiro de canhão, de advertência, chegou a ser disparado. Atingiu um cortiço e matou duas crianças. Enquanto parte da população fugia apavorada, a outra parte, curiosa, corria para o cais, para assistir ao vaivém dos navios.
Pressionado por políticos da oposição, o recém-empossado presidente da República, o marechal Hermes da Fonseca, aceitou as condições e pôs fim à rebelião.
A trégua, porém, durou pouco. Já no dia seguinte, logo que os rebelados começaram a desembarcar, Hermes da Fonseca voltou atrás. E, por decreto, começou a perseguir todos os que participaram do levante.
Dos 2.379 marujos revoltosos, 1.216 foram expulsos da Marinha. Outros 600 foram presos e 105 obrigados a embarcar nos porões do navio Satélite, rumo à Amazônia, para trabalhos forçados na produção da borracha. Catorze deles nunca chegaram ao destino. Foram fuzilados durante a viagem e tiveram seus corpos jogados ao mar.
João Cândido foi preso, interrogado e, às vésperas do Natal de 1910, levado para a Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras (RJ), onde ficava o Batalhão Naval.
Em um calabouço onde só cabiam seis prisioneiros, dividiu a solitária com 17 companheiros. Ali, os marujos ficaram por três dias, sem ter o que comer ou beber e debaixo de um sol escaldante.
Sob o pretexto de desinfetar a cela, imunda de fezes e urina, os carcereiros jogaram cal lá dentro. Apenas dois dos 18 encarcerados sobreviveram: João Cândido e João Avelino Lira, de 26 anos. Os demais morreram de fome ou de asfixia.
A odisseia de João Cândido não terminou ali. Em abril de 1911, foi mandado para o Hospício Nacional dos Alienados, onde permaneceu por dois meses.
Logo, o diretor da instituição, Juliano Moreira, atestou que, de louco, João não tinha nada. Liberado, voltou à prisão, onde sobreviveu a uma tentativa de assassinato.
Um ano e meio depois, no dia 29 de novembro de 1912, foi levado a julgamento.
Apesar de absolvido das acusações, foi expulso da Marinha.
Ao sair da prisão, em 30 de dezembro de 1912, João Cândido passou a fazer biscates e a vender peixes para sobreviver.
Ele se casou três vezes, com Marieta, Maria Dolores e Ana, e teve 11 filhos. Viveu seus últimos anos de vida em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, numa rua sem asfalto, luz elétrica ou água encanada.
Com reportagem de André Bernardo, para a BBC News Brasil no Rio de Janeiro
*Esta matéria foi publicada originalmente em 21 de maio de 2026 e atualizada em 23 de julho de 2026. ...

전문 보기

이 뉴스, 어떠셨어요?

탭 한 번으로 반응 · 로그인 불필요

관련 뉴스

관련 뉴스 제보는 로그인 후 가능합니다.

'world' 카테고리 뉴스

Marcos urged to include Site Blocking Bill in legislative priorities

Philippine Daily Inquirer

No official info yet that Atong Ang has already left PH, says NBI

Philippine Daily Inquirer

NBI: There’s ‘person of interest’ in Hontiveros’ online death threats

Philippine Daily Inquirer

G1 Globo의 다른 기사

Processo revela por que dono pediu retirada de responsável pela Casa Michael Jackson no Pelourinho

G1 (Globo)

Diagnóstico tributário: quanto sua empresa pode perder sem perceber

G1 (Globo)

O erro de enxergar impostos apenas como despesa

G1 (Globo)

피드백

피드백을 남기려면 로그인해 주세요.