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'Temos que negociar até a exaustão, até o limite', diz Tarcísio sobre tarifaço dos EUA

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'Temos que negociar até a exaustão, até o limite', diz Tarcísio sobre tarifaço dos EUA

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas
Roberto Sungi/Governo Estado SP
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em agenda desta quarta-feira (22) que o Brasil deve insistir nas negociações para tentar reduzir os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
Segundo ele, este é o único caminho possível e qualquer medida de reciprocidade apenas agravaria a situação.
"O caminho é negociar. Não faz sentido nenhum aplicar a Lei de Reciprocidade, só agrava a situação, não ganhamos nada com isso. Essa investigação da Lei 301 já vem desde o ano passado, não é algo novo. O Brasil teve chance de negociar, podia ter negociado. Obviamente houve negociação, mas não obteve êxito. Temos uma gama de produtos que estão fora, isso prejudica a economia do Brasil, de São Paulo, o nosso agronegócio, o setor de macroequipamentos, perdemos competitividade em relação aos players globais", afirmou.
"É importante que a negociação seja continuada. Acho que o Brasil tem que continuar negociando, é uma correta orientação do ministro das Relações Exteriores. A negociação por parte das empresas vai ser fundamental, cada empresa levanta seu argumento. A negociação é o caminho, temos que negociar até a exaustão, até o limite", disse.
Questionado sobre quais medidas o governo paulista pode adotar para amenizar os efeitos do tarifaço, Tarcísio afirmou que pretende repetir ações adotadas no ano passado, como a liberação antecipada de crédito emergencial.
Governo anuncia crédito de US$ 18,5 bilhões para socorrer setores atingidos pelo novo tarifaço
"Na situação passada, no ano passado, fizemos liberação de crédito emergencial, fizemos a antecipação da liberação de crédito. A ideia é trabalhar na mesma linha, porque é um remédio que funcionou no ano passado, temos essa carta na mesa. Vamos acompanhar também o que vem sendo divulgado pelo governo federal, em termos de liberação de crédito. A gente tem que ver o que o governo federal vai fazer para adequar as medidas por aqui", afirmou.
Ao falar sobre o papel do governo federal e do senador Flávio Bolsonaro nas negociações, o governador defendeu que o tema seja tratado sob a ótica comercial.
"A gente tem que deixar de procurar narrativas para entender a coisa sob o prisma comercial. Os países estão tentando defender interesses, o americano, o dele, o Brasil, o dele também. Estamos numa disputa comercial, temos a geopolítica mandando em decisões econômicas. Temos que olhar setor por setor para ver nosso balanço, olhar nossas tarifas, as tarifas deles. Isso funcionou no caso da Embraer."
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"Eles olharam e falaram: 'Importo mais turbina do que importo de aviões'. Isso sensibilizou, na época, os americanos, e houve a excepcionalização da Embraer, do suco, do café. Temos que apresentar argumentos caso a caso. Sabemos o que os americanos querem, temos que saber o que a gente quer também", complementou.
Tarifaço
Na semana passada, o governo de Donald Trump confirmou a aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor nesta quarta (22). A medida foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (22) que o Brasil não encontrou reciprocidade nos diálogos que teve com os Estados Unidos para tratar das tarifas.
Também segundo o presidente, o país não vai deixar de tentar negociar com o governo norte-americano nem vai ficar "chorando" por produtos que o país deixará de vender aos EUA.
"Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós estamos na mesa de negociação, já mandamos vários documentos e propostas, eu pessoalmente fui aos Estados Unidos, ficamos 3 horas discutindo negociação [...] a gente nunca encontrou reciprocidade na conversa", disse Lula.
"Isso vai aumentar o nosso antagonismo aos EUA? Não, não vai, porque a gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não vão negociar, porque estamos lá sentados na mesa, fazendo proposta toda vez e fazendo eles provarem que eles tinham alguma razão em taxar o Brasil", completou o presidente.
Lula sobre tarifaço: "Vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas"
O presidente afirmou ainda que "não tem veto de negociação".
"E vamos ficar na mesa de negociação. Se quiserem participar, participem. Se quiserem mandar e-mail, tweet, que mandem, nós vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas para tudo. Não tem veto de negociação. Não vamos ficar chorando produtos que a gente não vendeu para eles, porque nós vamos procurar outros compradores".
A fala ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto para sancionar e anunciar medidas de socorro a empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
O governo anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas a produtos brasileiros vendidos no mercado americano e também àquelas impactadas pela guerra no Oriente Médio.
O financiamento será destinado às empresas que:
são afetadas por tarifas comerciais dos EUA, como setores de aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, entre outros;
são de setores industriais estratégicos, por exemplo: fertilizantes, farmacêutico, têxtil, minerais críticos, entre outros;
setores que tiveram exportações para o Golfo Pérsico afetadas.
O presidente também sancionou uma lei que liberou R$ 15 bilhões, o "Brasil Soberano 2", em recursos para linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, ampliando assim o programa criado no ano passado para responder ao primeiro tarifaço dos Estados Unidos. A lei deriva de uma medida provisória (MP) de março de 2026.
Outras medidas continuam em estudo e podem ser colocadas em prática na medida em que as empresas perceberem dificuldades na vazão dos produtos tarifados, como adiantou o blog da Ana Flor.
O anúncio ocorre um dia após o governo federal iniciar uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados pelo "tarifaço" dos Estados Unidos. ...

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