OMS identifica tratamentos e vacinas contra o Ebola para teste em ensaios clรญnicos em meio a surto
Um homem atravessa um posto de controle de temperatura apรณs Uganda fechar suas fronteiras com a Repรบblica Democrรกtica do Congo, enquanto as autoridades intensificam os esforรงos para conter um novo surto de Ebola causado pela cepa do vรญrus Bundibugyo, no posto fronteiriรงo de Mpondwe, distrito de Kasese, Uganda, em 28 de maio de 2026. REUTERS/Abubaker Lubowa. A Organizaรงรฃo Mundial da Saรบde (OMS) recomendou a priorizaรงรฃo de trรชs tratamentos experimentais contra a cepa Bundibugyo do Ebola: o MBP134, da Mapp Biopharmaceutical; o maftivimab, da Regeneron; e o antiviral remdesivir, da Gilead Sciences. A agรชncia afirmou nesta quinta-feira que esses medicamentos, alรฉm de vacinas candidatas, devem ser avaliados em ensaios clรญnicos para gerar dados sobre seguranรงa e eficรกcia. A medida surge em meio ร continuidade do surto na Repรบblica Democrรกtica do Congo, com casos tambรฉm relatados em Uganda. Surto de ebola preocupa o mundo Segundo a entidade, ainda nรฃo hรก vacinas ou terapias aprovadas especificamente para a doenรงa causada pela cepa Bundibugyo do vรญrus Ebola. Em comunicado, a Regeneron informou que o fornecimento de maftivimab jรก estรก disponรญvel na RDC, caso a OMS decida utilizรก-lo imediatamente em pacientes ou incorporรก-lo a estudos clรญnicos. Para prevenรงรฃo, a OMS destacou o antiviral oral experimental obeldesivir, da Gilead, como prioridade para uso pรณs-exposiรงรฃo em contatos de casos confirmados. A agรชncia ressaltou, porรฉm, que a eficรกcia da estratรฉgia depende de um rastreamento rigoroso de contatos. Profissionais de saรบde com equipamentos de proteรงรฃo do lado de fora do Hospital Geral de Referรชncia durante aรงรตes de combate ao surto de Ebola, em 21 de maio de 2026, em Mongbwalu, na Repรบblica Democrรกtica do Congo Getty Images/BBC Entre as vacinas em desenvolvimento, a candidata de dose รบnica rVSV Bundibugyo, desenvolvida pela International AIDS Vaccine Initiative, foi considerada a mais promissora. Ainda assim, a OMS avalia como improvรกvel que o imunizante esteja pronto para testes nos prรณximos sete a nove meses. Outro candidato, o ChAdOx1 Bundibugyo, desenvolvido pela University of Oxford em parceria com o Serum Institute of India, poderรก avanรงar para testes em dois a trรชs meses, embora ainda dependa de dados adicionais em estudos com animais. A OMS tambรฉm analisou o uso potencial da Ervebo, da Merck & Co., atualmente a รบnica vacina licenciada contra o Ebola. A agรชncia, no entanto, recomendou que o imunizante nรฃo seja usado fora de pesquisas, jรก que as evidรชncias de proteรงรฃo contra a variante Bundibugyo ainda sรฃo consideradas limitadas e inconclusivas. Os consultores da OMS tambรฉm recomendaram avaliar terapias combinadas, unindo anticorpos monoclonais ao remdesivir. A agรชncia informou ainda que trabalha com autoridades da Repรบblica Democrรกtica do Congo e de Uganda, alรฉm de parceiros como o Africa Centres for Disease Control and Prevention, para estruturar e implementar ensaios clรญnicos sob rigorosos padrรตes รฉticos. LEIA TAMBรM: Ebola volta a assustar รfrica em meio ร guerra e ร pobreza no Congo