Mensagens, alertas e contradições: como a babá de Henry Borel se tornou peça-chave no julgamento

Como a babá de Henry Borel se tornou peça-chave no julgamento
A babá Tainá de Oliveira Ferreira ocupou um papel central no julgamento que condenou o ex-vereador Jairinho pela morte de Henry Borel. Considerada uma das principais testemunhas do caso, ela forneceu informações que ajudaram o Ministério Público a sustentar a acusação de tortura contra o padrasto do menino.
Ao longo dos 11 dias de julgamento, os jurados ouviram relatos sobre situações presenciadas por Tainá nos meses que antecederam a morte da criança, em março de 2021. As declarações da babá serviram de base para parte da denúncia apresentada pela acusação.
Segundo o processo, foi a partir de informações fornecidas por Tainá que o Ministério Público apontou episódios de agressões contra Henry. Durante o julgamento, ela voltou a prestar depoimento após ser questionada pela juíza sobre declarações dadas anteriormente.
Um dos episódios discutidos no tribunal ocorreu em 2 de fevereiro de 2021. Naquele dia, Tainá enviou mensagens ao namorado relatando que Jairinho havia se trancado em um quarto com Henry. Segundo o que foi apresentado no julgamento, ela escreveu:
"Acredito que ele não deve bater no menino, né? Não é possível que ele seja tão louco."
O namorado respondeu:
"Bater não".
E Tainá disse:
"Mas ele deve fazer ameaças psicológicas."
Nas conversas, ela demonstrava preocupação com a situação, embora tenha afirmado que, naquele momento, não tinha certeza de que o menino estivesse sendo agredido fisicamente.
Durante o julgamento, a defesa explorou justamente esse ponto. Advogados questionaram por que a babá não telefonou para Monique Medeiros ao perceber a situação.
Tainá respondeu que estava nervosa e que, apesar da preocupação, não pensou em fazer a ligação naquele momento.
"Eu ficava tão nervosa quanto a criança", afirmou.
Exclusivo: depoimentos da babá de Henry Borel e de ex-enteada de Jairinho foram decisivos para a condenação
Como a babá de Henry Borel se tornou peça-chave no julgamento
Reprodução/TV Globo
O vídeo que marcou a investigação
Outro episódio considerado decisivo aconteceu em 12 de fevereiro de 2021. Segundo a acusação, Henry ficou novamente sozinho com Jairinho em um quarto.
Após o encontro, imagens registraram o menino mancando ao sair do cômodo. O vídeo se tornou uma das evidências mais conhecidas do caso.
Naquele mesmo dia, Tainá enviou mensagens para Monique relatando o que havia acontecido. O próprio Henry também contou à mãe, por chamada de vídeo, que havia levado uma "banda" — uma espécie de rasteira — do padrasto.
Para os promotores, as mensagens demonstravam que Monique foi alertada sobre possíveis agressões contra o filho.
Contradições no depoimento
Tainá também foi alvo de questionamentos durante o julgamento.
Em determinado momento, ela afirmou que repassava à mãe tudo o que Henry lhe contava. Ao mesmo tempo, reconheceu que nunca presenciou diretamente agressões físicas.
"A situação era estranha. Eu nunca vi nenhum ato acontecendo", declarou.
A defesa utilizou essas declarações para tentar enfraquecer a acusação, argumentando que parte das conclusões da babá era baseada nos relatos feitos pelo próprio menino e não em fatos observados por ela.
Jairo de Souza Santos Junior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão por tortura e homicídio
Reprodução/TV Globo
'A justiça matou o meu filho'
Leniel Borel, pai de Henry, disse que não houve justiça completa por Henry e criticou o perdão judicial concedido a Monique pela juíza Elizabeth Machado Louro, que considerou ter havido uma "misoginia declarada" contra a mãe.
A decisão está longe de encerrar o caso. O Ministério Público recorreu, alegando irregularidades após a juíza ter mudado uma das perguntas feitas aos jurados, o que, segundo a acusação, contribuiu para uma mudança do entendimento sobre a responsabilidade de Monique.
Monique Medeiros já está em liberdade.
Jairinho permanece no presídio em Bangu, onde agora vai cumprir pena. Sua defesa também pretende pedir a anulação do julgamento.
Henry Borel
Reprodução/TV Globo
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
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