Em 'Dia D', Spielberg busca encanto de clássicos alienígenas como 'E.T.' e 'Contatos imediatos'; g1 já viu

AI Summary
Steven Spielberg released 'Disclosure Day,' a science-fiction thriller about humanity's first contact with extraterrestrials, reviving a signature theme from his earlier career. The film functions as both a conspiracy thriller and career retrospective while exploring themes of empathy and understanding, generating mixed critical assessments regarding its artistic achievement and emotional impact relative to his classics.
Progressive: Progressive-leaning outlets emphasize the film's humanist and introspective qualities, praising it as a touching, emotionally resonant work that examines the human condition through speculative storytelling, liberated from commercial formula.
Moderate: Centrist outlets focus on the film as a conspiracy thriller and career retrospective, offering mixed critical reviews that assess its technical execution and entertainment value while questioning whether it achieves the sense of wonder that defined Spielberg's earlier alien-contact masterworks.
Conservative: Conservative-leaning outlets highlight the film's explicitly political dimensions, reading the alien-contact narrative as an allegory for current government policies and interpreting Spielberg's emphasis on empathy and understanding as a necessary counterweight to contemporary political divisions.
Quando o maior diretor de todos os tempos volta a seu tema favorito, alienígenas, convém prestar atenção. Em "Dia D", Steven Spielberg evoca o encanto que injetou em clássicos como "Contatos imediatos do terceiro grau" (1977) e "E.T. O extraterrestre" (1982) – com resultados variados.
O primeiro blockbuster do cineasta desde 2018 estreia no Brasil nesta quinta-feira (10) com a inocência otimista e pitadas de teorias da conspiração que marcam alguns de seus melhores filmes.
Como na maioria da obra do veterano, estão lá uma aventura desnorteante contrastada com a calma para a elucidação do mistério, o fascínio pelo desconhecido, a pureza de um olhar quase infantil e grandes atuações de excelentes atores.
No caso, de Emily Blunt ("O diabo veste Prada 2"), Josh O'Connor ("Rivais") e Colin Firth ("O discurso do rei").
Infelizmente, é difícil precisar se algo se perdeu nas décadas desde os clássicos que claramente inspiram "Dia D" ou se falta a Spielberg o interesse genuíno por uma inovação – pelo menos uma que vá além da mera técnica.
Os avanços tecnológicos alcançados nesses quase 50 anos que o separam de "Contatos imediatos" são inegáveis. Assim como é praticamente impossível ignorar que, ao final da nova história, entre os inúmeros sentimentos provocados está o de uma leve frustração.
Pelo menos para quem está acostumado a esperar sempre o melhor do diretor.
Assista ao trailer de 'Dia D'
Uma trama elegante para tempos menos civilizados
Como sempre, Spielberg imagina um mundo onde extraterrestres são reais e onde sua existência é escondida por uma organização com motivações escusas.
No roteiro que o cineasta assina com David Koepp, com quem trabalhou em "Jurassic Park" (1993) e "Guerra dos mundos" (2005), os protagonistas são um grupo de pessoas determinado a acabar com esse segredo e uma mulher (Blunt), presa no fogo cruzado.
É uma trama elegante para tempos menos civilizados. O otimismo e a inocência insistentes do diretor que dominam a narrativa soam quase anacrônicas entre tantas superproduções cínicas e cheias de explosões.
Sempre mais interessado no lado humano de seus conflitos, dá gosto ver a destreza com que o diretor costura os fios entre protagonistas, organização nefasta e a natureza verdadeira dos alienígenas.
Em suas mãos, as quase duas horas e meia de duração não têm espaço para gorduras desnecessárias. Cada momento transmite uma sensação. Cada olhar conta uma história em poucos segundos.
Tudo com o auxílio sempre presente da trilha de John Williams – mais um que pode ser chamado de maior de todos os tempos em sua própria categoria. Talvez falte a "Dia D" um tema marcante como suas duas principais inspirações, mas cada nota é tão responsável pelos sentimentos instigados quanto o cineasta em si.
Delaney Anne Cuthbert em cena de 'Dia D'
Divulgação
O capítulo que não foi
Difícil cravar, no entanto, que o filme se junte aos clássicos maiores da carreira de Spielberg. Talvez por olhar demais para o passado, e até recriar bem demais grande parte de seu charme, o filme se esqueça de construir algo novo.
Não há nada de errado em reverenciar grandes exemplos – mas é preciso cuidado no caso de autorreferências. Não que a obra soe arrogante. Ela apenas, por vezes, parece satisfeita demais consigo mesma, como em pontas deixadas caprichosamente soltas no final.
É possível perdoar um certo sentimentalismo, em especial nas mãos de quem sabe como ninguém como usá-lo. O perdão é sempre mais fácil com o coração quentinho.
Mas, quando o maior de todos os tempos volta a seu gênero preferido, o mundo tende a esperar um novo capítulo, e não apenas uma visita a tempos mais simples – por melhor que ela seja.
Arte/g1
Emily Blunt e Josh O'Connor em cena de 'Dia D'
Divulgação ...