Bebê com anemia hemolítica tem alta após mutirão de doações em Sorocaba; saiba mais sobre a doença rara no sangue

Bebê com doença rara recebe alta após mobilização por doações de sangue em Sorocaba
O bebê Liam Vaz Ribeiro, de 11 meses, recebeu alta hospitalar na sexta-feira (5) após uma campanha de doação de sangue mobilizar a família. Ele estava internado desde 13 de maio no Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci), em Sorocaba (SP).
A criança tem Anemia Hemolítica Autoimune, uma doença rara que faz o organismo atacar as próprias células do sangue. Ao g1, a mãe dele, Sabrina Correa Vaz, contou que o filho recebeu oito bolsas compatíveis.
📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp
"Graças à campanha de doação, conseguimos o sangue mais compatível para ele, para que não houvesse rejeição da bolsa. Ele está bem, saiu comendo bastante, até mais do que eu", brinca.
Antes do diagnóstico atual, o bebê tratou uma suposta falta de ferro, sem sucesso. Depois, os médicos descobriram que Liam tem esferocitose, uma doença genética que altera o formato dos glóbulos vermelhos.
Bebê com doença rara que precisava de doações de sangue recebeu altar hospitalar em Sorocaba (SP)
Arquivo pessoal
"Foi aí que entendemos o motivo da reação grave na transfusão: o corpo dele não aceita qualquer tipo de sangue. Desde então, começamos o tratamento com corticoide", explica.
Apesar da alta, o bebê continuará com acompanhamento médico. Além do corticoide, ele passa por sessões de quimioterapia a cada 15 dias e precisa seguir uma dieta restrita.
LEIA TAMBÉM:
Bebê dá entrada em unidade de saúde morto e com sinais de espancamento e abuso em Sorocaba; casal foi preso
Justiça determina transferência, mas bebê com doença rara segue sem vaga no interior de SP: 'Descaso', diz mãe
Polícia procura por babá suspeita de agredir bebê de um ano em Sorocaba; menino deixa a UTI
"O Liam está fazendo a quimioterapia porque o tratamento tem o mesmo efeito do corticoide. Na verdade, ela ajuda a reduzir a ação do baço, que acaba destruindo os glóbulos vermelhos. Esse vai ser o tratamento dele junto ao corticoide, por enquanto", explica.
"Ele também precisa seguir uma dieta balanceada. Atualmente, está tomando leite de soja e vitamina D. Além disso, não pode consumir muito cálcio e precisa intercalar a alimentação com produtos sem lactose. Na dieta, também entram algumas frutas, legumes e carne", finaliza.
Sobre a doença
Mãe de bebê com doença autoimune pede por doação de sangue em Sorocaba (SP)
Arquivo pessoal
A médica hematologista Bianca Zocca Moreira, de Sorocaba, explica que a anemia hemolítica acelera a destruição das células vermelhas do sangue. O problema faz com que o organismo elimine os glóbulos vermelhos mais rápido do que consegue repô-los.
"O nosso corpo produz o sangue dentro dos ossos, na medula óssea. As nossas células são produzidas e destruídas naturalmente, porque ficam velhas depois de 120 dias. Na anemia hemolítica, a pessoa produz um anticorpo que destrói as células vermelhas muito rápido", explica.
A condição pode ser genética, como a esferocitose, diagnosticada no bebê Liam, ou adquirida ao longo da vida. "Em cerca de 50% dos casos, a anemia hemolítica começa depois de uma virose ou de algum quadro infeccioso. Os outros casos geralmente estão relacionados a alguma doença que a pessoa não sabe que tem. Alguns medicamentos também podem causar esse tipo de anemia", diz.
Bebê com doença rara autoimune recebe alta após doações de sangue em Sorocaba (SP)
Arquivo pessoal
Pacientes com esferocitose alternam períodos de estabilidade com crises graves, segundo a médica. Nesses episódios, o tratamento exige transfusões de sangue, hidratação e uso de corticoides.
"Liam precisa de muito cuidado para não pegar outras infecções, o que é difícil em crianças. Se pegar uma virose com diarreia, por exemplo, o quadro pode piorar. Tudo é mais difícil para quem tem esse problema", explica.
Por causa desse risco, o bebê manterá uma rotina rigorosa de monitoramento em casa. "É importante que ele faça hemograma semanal para ver se está mantendo os níveis e se não está voltando a destruir o sangue de novo. Se tiver febre, já tem que levar ao médico logo para evitar uma crise hemolítica", conclui.
Hematologista Bianca Zocca Moreira, de Sorocaba (SP)
Bianca Zocca Moreira
🩸 Doação de sangue
Apesar da alta de Liam, a necessidade de doações de sangue continua para ajudar a salvar as vidas de pacientes que dependem de transfusões. Em Sorocaba, as doações podem ser feitas na Associação Beneficente de Coleta de Sangue (Colsan).
Para doar sangue, é necessário:
Estar em boas condições de saúde;
Pesar ao menos 50 quilos;
Estar alimentado;
Apresentar documento original com foto.
Pessoas entre 16 e 69 anos podem doar, desde que a primeira doação tenha sido realizada antes dos 60 anos.
Impedimentos temporários:
Sintomas de gripe ou resfriado;
Gravidez;
Amamentação;
Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação;
Procedimentos médicos recentes, como cirurgias e exames endoscópicos.
Impedimentos definitivos:
Doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue (hepatites B e C, HIV e doença de Chagas);
Uso de drogas ilícitas injetáveis.
A Colsan funciona de segunda-feira a sábado, das 7h às 12h30, exceto em feriados, na Avenida Comendador Pereira Inácio, 564.
Colsan enfrenta queda no estoque devido ao frio
Reprodução/TV TEM
Initial plugin text
*Colaborou sob supervisão de Júlia Martins
Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM ...