Justiça nega recurso de argentino preso por racismo em passeio de trem em MG e mantém prisão preventiva

Justiça nega recurso de argentino preso por racismo e mantém prisão preventiva.
Divulgação/PCMG
A Justiça de Minas Gerais manteve preso o argentino de 63 anos suspeito de cometer racismo contra uma criança de 7 anos durante um passeio de Maria Fumaça entre São João del-Rei e Tiradentes, na Região Central de Minas Gerais.
Segundo a Polícia Civil, Eduardo Ignacio Urias foi preso em flagrante após fotografar e filmar o menino dentro do trem turístico e compartilhar as imagens acompanhadas de mensagens racistas.
A decisão judicial
O pedido de liberdade foi negado sob o argumento de que a prisão é necessária para garantir a ordem pública, a aplicação da lei e a segurança da família da vítima. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (8).
Na decisão, o juiz destacou a gravidade do caso e afirmou que a manutenção da prisão também evita eventual fuga do investigado e possíveis interferências na produção de provas.
Além disso, o magistrado também ordenou que a direção do Presídio Regional de São João del-Rei encaminhe o argentino para a realização de exame de corpo de delito complementar e adote medidas para garantir sua integridade física.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e aguarda retorno.
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Argentino segue detido após ter recurso negado pela justiça, no Presídio de São João del Rei.
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O que diz a defesa da família do menino
Ao g1, o advogado Gilberto Silva, que representa a família do menino vítima de racismo disse que todos receberam a notícia com alívio e com a sensação que a lei está sendo cumprida, com o amplo direito de defesa do argentino.
“Nós vemos essa decisão como algo muito importante e séria do judiciário, não só preservando não só as garantias de um processo justo, com todos os rigores da lei mas também uma preocupação humanitária por parte do judiciário no sentido de que, enquanto este homem estiver encarcerado, enquanto ele não for a julgamento, ele não tem condições de permanecer solto no Brasil. É uma mostra, por parte do TJMG, da soberania do estado brasileiro, mostrando pra América do Sul e pro mundo de que no Brasil existe lei antirracista e que os estrangeiros não podem simplesmente entrar no país e ofender que aqui vivem", disse o advogado Gilberto Silva.
O que diz a defesa do argentino Eduardo Urias
O g1 também conversou com o advogado de defesa de Eduardo Urias, Ciro Chagas. O advogado enviou uma nota e informou que já entrou com outro pedido de habeas corpus que está em tramitação e que está surpreso que a situação de agressão não ter sido considerada para a mudança no cenário do processo.
"A defesa confessa surpresa, não propriamente com a decisão, mas com a impressionante energia do juízo. Em poucos dias, foram três manifestações sobre os mesmos fatos, a última delas com providências determinadas de ofício e logo depois de o próprio juízo ter prestado informações em habeas corpus que aguarda julgamento de mérito. O que intriga a defesa é o destino dado a tanto empenho: concluir que ‘não houve alteração no quadro fático’ exatamente depois de nosso cliente, preso e sob a tutela do Estado, ter sido agredido dentro do presídio. Pelo visto, ser agredido sob custódia estatal não foi reputado fato novo. Confiamos que as instâncias superiores dispensarão à integridade física do cliente e ao devido processo legal o mesmo zelo demonstrado em outras frentes. Os próximos passos serão tratados no habeas corpus em curso", diz a nota.
Entenda a diferença entre racismo e injúria racial
Relembre o caso
O argentino Eduardo Ignacio, de 63 anos, foi preso em flagrante no dia 24 de maio, suspeito de praticar racismo contra uma criança de 7 anos durante um passeio de Maria Fumaça entre São João del-Rei e Tiradentes.
Segundo a Polícia Civil, ele fotografou e filmou o menino sem autorização e compartilhou as imagens acompanhadas de mensagens racistas em espanhol.
O suspeito foi detido ainda durante o passeio, após a mãe da criança ser alertada por uma passageira sobre as imagens feitas pelo homem. Posteriormente, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva pela Justiça.
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