Empresa responsável por ponte que desabou no AC assinou outras seis obras no estado; veja quais

Veja o antes e depois de ponte que desabou com quatro pessoas no Acre
A construtora Cidade, responsável pela ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou em Sena Madureira, no interior do Acre, assinou outros seis projetos no estado, sendo três somente em Rio Branco. Um deles é a passarela Joaquim Macedo, interditada desde 2024 por problemas no solo. (Veja abaixo a lista completa)
Além disso, a empresa também foi habilitada no âmbito da licitação para a sexta ponte sobre o Rio Acre na capital, o que seria o oitavo projeto no estado acreano.
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A ponte desabou na noite de sexta-feira (5) com quatro pessoas em cima. A estrutura estava interditada desde quinta (4) por risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do desabamento e mostram as pessoas atravessando a estrutura após ultrapassarem o bloqueio. Veja quem são os feridos aqui.
Veja o que se sabe sobre o acidente
ANTES E DEPOIS: Imagens mostram como ficou ponte que desabou
O grupo inclui em seu portfólio a terceira e a quarta ponte de Rio Branco, na capital, a Passarela Joaquim Macedo, a Ponte da União sobre o Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, uma ponte sobre o Rio Envira, em Feijó, e a Ponte da Liberdade sobre o Rio Purus, em Manoel Urbano.
Em seu site oficial, a construtora não exibe a ponte Frei Paolino.
Construtora Cidade tem sete obras no Acre; veja abaixo lista completa
Reprodução
Ao g1, o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) ressaltou um decreto publicado no sábado (6) e que suspende contratos, processos de contratação e pagamentos que possam estar vinculados à construtora no âmbito da administração pública estadual.
“O governo do Acre, por meio do Deracre, informa que irá intensificar o monitoramento e as inspeções técnicas em pontes, passarelas e demais obras de arte especiais sob responsabilidade do órgão em todo o estado", ressaltou o órgão.
Por meio de nota, a construtora Cidade frisou que atua há 57 anos no setor de infraestrutura e que as obras já entregues pela empresa possuem histórico próprio de operação e acompanhamento pelos órgãos contratantes.
"Neste momento, a empresa permanece concentrada na apuração dos fatos relacionados à Ponte Frei Paolino Baldassari, colaborando com os órgãos competentes e com os especialistas responsáveis pelos estudos e perícias em andamento", afirmou.
Confira as obras no Acre feitas pela construtora Cidade
3ª ponte sobre o Rio Acre - inaugurada em 2006, em Rio Branco. Custo: R$ 28 milhões
4ª ponte sobre o Rio Acre - inaugurada em 2010, em Rio Branco. Custo: R$ 26 milhões
Ponte sobre o Rio Envira - em Feijó, no interior do Acre. O g1 não conseguiu confirmar o valor da obra
Ponte da União, sobre o Rio Juruá - inaugurada em 2011, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Valor: R$ 150 milhões
Ponte da Liberdade - inaugurada em 2010, em Manoel Urbano, no interior do Acre. Valor: R$ 46,37 milhões
Passarela Joaquim Macedo - inaugurada em 2006, em Rio Branco. O g1 não conseguiu confirmar o valor da obra
Construtora exibe o Deracre entre lista de clientes em site
Reprodução
Riscos no entorno
Cerca de uma semana antes do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, foram identificada movimentações no solo e rachaduras em uma área de mais de 16 mil metros quadrados no entorno da estrutura.
Na época, equipes técnicas começaram a identificar sinais de instabilidade no terreno onde fica a ponte, próximos a bairros da localidade e, nos dias seguintes, a situação piorou rapidamente com o surgimento de rachaduras, deslocamento de terra e desníveis em diferentes pontos ao redor da estrutura.
Com base nas informações técnicas, a empresa encaminhou ao Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre), na quinta-feira (4), uma recomendação para que a ponte fosse interditada para passagem de pedestres e veículos por conta do risco de desabamento às margens do Rio Iaco.
Imagens mostram área ao redor da ponte com rachaduras
Arquivo/Construtora Cidade
Na quinta, o Deracre confirmou que o tráfego foi interrompido e a passagem seria feita em outra ponte metálica, conhecida como pontilhão.
"A Construtora Cidade ressalta que mais estudos técnicos estão sendo realizados pela equipe contratada, composta por especialistas de reconhecida experiência nacional nas áreas de geotecnia, hidrologia, estruturas, fundações e topografia", diz trecho da nota da empresa. (Leia na íntegra ao final do texto).
Uma equipe de engenheiros, geólogos e o dono da empresa está prevista para ir ao município nesta terça-feira (9).
O Ministério Público do Acre acionou a Defesa Civil Municipal para fazer vistorias e verificar a necessidade de remoção de moradores nas áreas mais críticas.
Inquérito
A Polícia Civil confirmou que instaurou um inquérito para apurar as causas do desabamento. A investigação deve ser concluída em 30 dias.
O delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, confirmou que peritos do município já fizeram uma perícia preliminar no local do desmoronamento. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) foram designados para conduzir a investigação.
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O Ministério Público do Acre (MP-AC) também confirmou que a Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Sena Madureira instaurou um procedimento para apurar as causas do acidente. O órgão solicitou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) uma perícia na área do acidente para identificar se houve falhas no projeto, na execução da obra ou na utilização do material.
A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada no dia 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte da estrutura que ruiu corresponde a 60% da extensão, o que dá cerca de 139 metros.
À época da abertura, a Prefeitura de Sena Madureira estimava que 2,5 mil pessoas seriam beneficiadas pela passagem, que ligava os dois distritos do município.
Os escombros seguem no leito do Rio Iaco enquanto os bombeiros e Defesa Civil estudam maneiras de retirar o material. O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) disse que vai esperar os representantes da empresa chegarem no Acre para iniciar a remoção.
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