SC suspende temporariamente aplicação da vacina contra dengue do Butantan

SC suspende uso da vacina do Butantan contra dengue
Santa Catarina suspendeu temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A medida preventiva segue decisão do Ministério da Saúde válida para todo o país e visa investigar eventos adversos graves notificados após a vacinação, incluindo duas mortes. Até o momento, não foi estabelecida relação causal entre os casos investigados e o imunizante.
Com a suspensão, as doses serão mantidas nas redes de frio dos municípios e do estado até que novas orientações sejam emitidas pelo Ministério da Saúde. Desde o início da vacinação, neste ano, foram aplicadas 500 mil doses em todo o país.
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Segundo informações do Ministério da Saúde, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos com manifestações clínicas compatíveis com a dengue após a aplicação do imunizante (0,7% dos vacinados).
Do total, 42 apresentaram sinais de alerta (0,008%), incluindo três eventos graves. Atualmente, três casos estão sob investigação — dois em São Paulo e um no Ceará. Não há registros de eventos graves em Santa Catarina.
A Secretaria de Saúde de Santa Catarina ressaltou que os casos são considerados muito raros e que não é possível concluir, neste momento, que tenham sido causados pela vacina.
A imunização de adolescentes de 10 a 14 anos, feita com a vacina do laboratório Takeda, segue normalmente. A suspensão é uma medida de precaução, adotada dentro dos protocolos de segurança que regem os programas de imunização globais.
“Quando uma vacina passa a ser utilizada em larga escala, especialmente em campanhas que envolvem centenas de milhares de pessoas, é esperado que alguns eventos de saúde ocorram temporariamente após a vacinação. Por isso, os sistemas de vigilância monitoram e investigam todas as ocorrências”, destaca a SES.
Ministério da Saúde suspende aplicação da vacina do Butantan contra a dengue
Jornal Nacional/ Reprodução
Cenário em Santa Catarina
O estado distribuiu 36.560 doses aos municípios, destinadas à vacinação de trabalhadores da Atenção Primária à Saúde do SUS. Até o momento, os eventos supostamente atribuíveis à vacinação ou imunização (ESAVI) registrados no estado, relacionados à vacina do Instituto Butantan, são compatíveis com as reações já descritas em bula. Não há registro de quadros graves associados ao imunizante em Santa Catarina.
De acordo com Fábio Gaudenzi de Faria, superintendente de Vigilância em Saúde, o imunizante foi aplicado exclusivamente em profissionais da rede de atenção primária estadual.
“Aqui em Santa Catarina, até o momento, não identificamos nenhum evento adverso grave. O monitoramento é feito 21 dias após a aplicação. As pessoas que receberam a vacina até ontem [segunda-feira, 8] estão sendo orientadas a procurar o serviço de saúde caso apresentem sintomas similares aos da dengue”, destacou Gaudenzi.
Ainda segundo o superintendente, os sintomas monitorados assemelham-se aos da dengue grave, como dor abdominal intensa, sangramentos e quadros neurológicos.
Crianças e adolescentes podem se vacinar em SC
Gaudenzi reforçou a segurança da vacina da Takeda, que é utilizada no Brasil há mais de 1 ano e meio para o público de 10 a 14 anos (e até 16 anos em algumas regiões).
“Todo esse grupo pode ficar tranquilo. A vacina da Takeda possui um mecanismo de reação diferente do imunizante do Butantan. Com mais de 8 milhões de doses aplicadas no Brasil, o monitoramento não apontou eventos adversos graves. É uma vacina segura”, enfatiza.
A SES segue acompanhando as investigações conduzidas pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelos demais órgãos responsáveis pela segurança dos imunizante
A pasta reitera a importância da confiança da população nas vacinas disponibilizadas pelo SUS, ressaltando que a imunização continua sendo a estratégia mais eficaz para a prevenção de doenças, a redução de internações e a proteção da vida.
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